Publicado 07 de Maio de 2015 - 5h30

Com o apoio de mais de 66 mil vozes no Morumbi, o São Paulo batalhou até o fim e, na base da insistência, furou a retranca do Cruzeiro. A vitória magra por 1 a 0 com gol de Centurión representa um passo significativo para o time avançar às quartas de final da Copa Libertadores.

O maior público do futebol brasileiro no ano (superou por pouco a final do Campeonato Carioca) empurrou a equipe a não diminuir o ritmo e conquistar a vantagem de jogar pelo empate na semana que vem, no Mineirão, em Belo Horizonte.

Fábio, o goleiro que mais levou gols de Rogério Ceni — sete na carreira —, quase compensou tudo o que já sofreu. Ele fazia atuação memorável e digna para se colocar em um DVD dos melhores momentos da carreira até os 37’ do segundo tempo, quando Bruno cruzou para Centurión cabecear. A bola resvalou no goleiro e morreu nas redes.

O São Paulo sentiu muito a falta de Michel Bastos e de ter mais opções. O meia está com dengue e o time careceu da experiência e poder de criação. Com o banco de reservas sem Luis Fabiano, suspenso, e Alan Kardec, machucado, as soluções minguaram e a equipe penou.

Quase oito meses depois o Morumbi voltou a receber mais de 50 mil pessoas. A redução do preço dos ingressos (a entrada mais barata custava um terço do valor da fase de grupos) fez o clube receber o maior público do ano. A distribuição de bandeiras para os torcedores ajudou a montar um ambiente de festa bem diferente da melancolia do estádio vazio de jogos anteriores.

O São Paulo pressionou desde o início. No primeiro tempo, foram dois cruzamentos concluídos com cabeceios à queima roupa e salvos em ação digna de milagre do goleiro Fábio.

A angústia coletiva fez do segundo tempo um drama. A chance de algum erro custar o resultado positivo deixou os nervos à flor da pele. O grito de gol da torcida ficava sufocado a cada bola que passava pela área ou a cada defesa salvadora.

O Morumbi lotado prendeu a respiração em lances de extrema crueldade para qualquer torcedor. Alexandre Pato chutou de tornozelo no travessão, Centurión driblou os zagueiros e chutou torto e Rafael Toloi cabeceou da pequena área e colocou para fora. Tudo parecia uma amargura sem fim. A recompensa veio a poucos minutos do apito final. O empenhado Centurión deu ao time uma vitória com a cara dele. (Da Agência Estado)