Publicado 07 de Maio de 2015 - 9h39

Por Adriana Ferezim

Buraco no telhado do Armazém 10, por onde o trabalhador caiu

Antonio Trivelin/ Gazeta de Piracicaba

Buraco no telhado do Armazém 10, por onde o trabalhador caiu

O serralheiro Vanderlei Iacope, 44 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (6) em um acidente de trabalho, no Engenho Central. Ele realizava reparos no telhado do Armazém 10 quando caiu de uma altura de cerca de oito metros. Essa é a primeira morte laboral registrada em um período de um ano pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Piracicaba (Sinticompi).

Segundo o presidente da entidade, Milton Costa, o serralheiro realizava o serviço pela empresa Antonio Donizete Iacope (MEI), de propriedade do irmão da vítima. “O Antonio venceu uma licitação para fazer os reparos no telhado e deu o trabalho a Vanderlei, que chamou uma outra pessoa para ajudar. Os dois estavam em cima do telhado no momento do acidente. Ambos sem cinto de segurança e sem a corda que chamamos linha da vida. Se estivesse com esses equipamentos, no máximo Vanderlei ficaria pendurado. Todo acidente pode e deve ser evitado”, afirmou Costa.

O presidente aponta falhas na fiscalização do trabalho e na exigência de documentação. “A Secretaria Municipal de Ação Cultural não cobrou da empresa a Análise de Risco Preliminar (ARP) e nem o certificado NR 35 (Norma Regulamentadora 35, do Ministério do Trabalho), que disciplina a atividade em altura.

“Faltou gerenciamento e controle. Independentemente do trabalhador não usar os equipamentos de segurança, cabe a quem contratou fiscalizar. Sem a ART e a NR 35, um técnico de segurança não foi acionado para fiscalizar o serviço. Como a obra é da prefeitura, caberia ao Sesmt (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) fiscalizar a obra. Mas a gestão do serviço ficou burocrática. Antigamente, cada secretaria tinha um técnico de segurança do trabalho. Isso não existe mais e os técnicos não saem mais às ruas. Já fizemos denúncias. Agora vamos marcar uma reunião com o prefeito para podermos agilizar as fiscalizações e evitar acidentes e mortes”, comentou Milton.

Em nota, a prefeitura esclareceu que o funcionário que morreu era contratado da empresa Antonio Donizete Iacope (MEI), “vencedora da coleta de preços - realizada em concordância com a Lei de Licitações nº 8.666 - para manutenção nos telhados do Engenho Central com serviços de limpeza de calhas e troca de telhas. A prefeitura cumpriu todo procedimento de socorro e acionou a Polícia Civil assim que foi constatada a morte pela equipe do Samu e está oferecendo todo suporte à família”.

Ainda de acordo com a nota, “a documentação da empresa, junto à prefeitura, está completa, comprovando que ela está apta a realizar os serviços”. Além disso, nas exigências da coleta de preços, “consta um item dizendo: a empresa deverá fornecer todos os equipamentos de trabalho e todos os equipamentos de segurança necessários à realização dos serviços”.

Escrito por:

Adriana Ferezim