Publicado 07 de Maio de 2015 - 5h00

Por Zeza Amaral

ig-zeza-amaral

AAN

ig-zeza-amaral

Não há razão nenhuma para os deuses nos proteger contras os nossos destinos. Já que de há muito quebramos nossos compromissos morais com eles, segundo o manifesto bíblico; e que agora relembro por força de ofício.

Nem quero aqui citar os Sete Pecados Capitais, visto que são menores e, portanto, os mais vilipendiados, quer por altas autoridades do Estado quer pelos contribuintes do Estado, todos em situação de responsabilidade diante de seus atos, visto que o salário do presidente da república também depende dos impostos do mais humilde carroceiro do país. Tudo isto é claro ou será preciso desenhar para quem gosta de futebol?

Quase cerca de 5 bilhões de reais é o montante da dívida federal que os grandes clubes de futebol do País devem ao distinto público brasileiro, a essa massa que lota os estádios à procura de uma vitória de seu time, que consome latas de cerveja e refrigerante, camisas e agasalhos de seus clubes, que paga os anúncios do papel higiênico, da pasta de dente, e, é claro, duplamente, pelos anúncios de bem-aventurança das estatais eivadas em propinas e tantas outras maracutaias, dos pernetas que só sabem correr atrás da grana e pisam na bola, lavando biografias de cartolas e empresários, seja lá com contratos de gaveta e tantos outros em paraísos fiscais.

Perdoe-me, o raro leitor, pelo parágrafo anterior tão longo quanto é a incompetência dos administradores do futebol brasileiro; tão competentes para encher os cofres de suas confederações e, é claro, para exaurir os cofres de pequenas agremiações, elas sim as principais contribuintes dos cofres federativos do futebol brasileiro.

Nada me tira da memória os 7 a 1 que levamos da Alemanha. Levamos um baile de batata e cerveja. E nós que somos o samba, o balacobaco das esquinas brasileiras, os babacas do turismo que não temos, ainda aguardamos explicações dos nossos craques nacionais, da nossa comissão técnica da CBF e da dita imprensa especializada.

Acabaram-se os campeonatos estaduais e tudo se resume em levantar a taça, pegar a grana da premiação, pagar o que se pode pagar e empurrar o resto com a barriga gorda da cartolagem.

Na segunda-feira (4), fiz uma singela janta à Nega Véia e disse a ela que a vida segue, que isso depende só da gente, do nosso amor, da nossa esperança. Ela agradeceu o alimento e o vinho e depois a gente foi dormir, de colherinha, sonhando que o dia seguinte será melhor. O futebol tem dessas coisas.

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral