Publicado 05 de Maio de 2015 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

Pedras expostas no Rio Atibaia, que recebe água do Sistema Cantareira e voltou a registrar quedas, ameaçando o abastecimento de Campinas

Elcio Alves/ AAN

Pedras expostas no Rio Atibaia, que recebe água do Sistema Cantareira e voltou a registrar quedas, ameaçando o abastecimento de Campinas

Vinte cidades localizadas nas bacias do Alto Atibaia e do Camanducaia entraram nesta segunda-feira (4) em alerta em função da queda na vazão dos rios. O alerta antecede o chamado estado de restrição, quando as empresas de saneamento, indústrias e irrigantes serão obrigados a reduzir a captação de água nos rios.

Estão totalmente inseridas no Alto Atibaia as cidades de Bom Jesus dos Perdões e Itatiba, e parcialmente, Atibaia, Bragança Paulista, Campinas, Jarinu, Morungaba Nazaré Paulista, Piracaia e Valinhos.

No Camanducaia, estão parcialmente inseridas as cidades de Amparo, Holambra, Jaguariúna, Monte Alegre do Sul, Pedra Branca, Pedreira, Pinhalzinho, Santo Antônio de Posse, Serra Negra e Socorro.

O posto de medição que vai definir quando a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) deverá reduzir em 20% a captação de água no Rio Atibaia é o chamado Rio Acima, em Paulínia.

Nesta segunda, esse posto estava medindo 5,59 m3/s - o estado de alerta para a Sanasa ocorre quando esse posto estiver com vazão entre 3,5 m3/s e 5 m3/s e a restrição começa quando a vazão estiver abaixo de 3,5 m3/s.

Para as cidades do Alto Atibaia que entraram em alerta, vale a medição do posto em Valinhos, que ontem registrou 4,58 m3/s (o alerta é deflagrado quando o posto está com vazão entre 4 m3/s e 5 m3/s). Todas as cidades, industrias e irrigantes que captam água no Atibaia antes do posto de Valinhos estão em alerta.

Já no Camanducaia, a medição é feita em um posto chamado Dal Bo, em Jaguariúna.

Cidades que se abastecem nesse rio, antes do posto de referência, entraram em alerta (a referência de vazão é entre 1,5 m3/s e 2 m3/s) - ontem a medição registrou 1,88 m3/s.

É a segunda vez, desde que as regras entraram em vigor em janeiro, que cidades entram em estado de alerta e a previsão é que o agravamento da estiagem levará, este ano, a necessidade de restrição na retirada de água dos rios Jaguari, Atibaia, Camanducaia, Cachoeira, Atibainha e seus afluentes.

O estado de alerta ainda não obrigada os usuários a reduzirem a captação, mas indica que toda atenção é necessária em relação ao abastecimento e que está próximo o momento de reduzir a captação de água.

As regras de restrição que começaram a valer ontem obrigarão as empresas de saneamento a reduzirem a captação em 20% e indústrias e irrigantes em 30% quando a vazão dos rios, em diferentes pontos de monitoramento, atingirem vazões limites.

A redução de captação ocorre em função de dois gatilhos a serem observados. O primeiro começa a valer quando o volume útil do Sistema Cantareira, disponível por gravidade, for menor que 49 bilhões de litros no Sistema Equivalente, composto pelas represas Jaguari, Jacareí, Cachoeira e Atibainha.

Esse volume equivale a 5% do volume útil, que já não existe desde maio do ano passado, quando teve início o bombeamento de duas cotas do volume morto. Assim, o primeiro gatilho já está valendo.

O segundo é o estado da vazão em determinados postos que medem o nível dos rios. Essas vazões de referência serão calculadas às segundas e quintas-feiras em cada posto referência e será disponibilizado na sala de situação do Comitê da Bacia do rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) .

A passagem do Estado de Alerta para o Estado de Restrição ocorrerá a partir das 0 h do dia seguinte à disponibilização da informação na Sala de Situação do PCJ e a saída do Estado de Restrição ocorrerá imediatamente após a publicação da informação no site do comitê.

Chuva 

A chuva de 8 milímetros (mm) que caiu pela manhã em Campinas, depois de 12 dias de estiagem, não alterou as condições de vazão do Rio Atibaia, que permanece baixa. De 4,21 metros cúbicos por segundo (m3/s) registrados no domingo no posto de Valinhos, o rio subiu para apenas 4,42 m3/s nesta segunda.

O posto de Valinhos fica um quilômetro distante do local onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) capta a água para abastecer 95% da população de Campinas.

No Sistema Cantareira não choveu entre domingo e nesta segunda, e o nível dos reservatórios caiu 0,1 ponto percentual - hoje o sistema operou em 19,7% dentro da conta do volume morto.

O sistema registra em maio um acumulado de chuva de apenas 0,1 mm e a previsão é que o mês acumule 78,2 mm.

A previsão para terça (5), de acordo com o Cepagri, é que a nebulosidade irá diminuir e o céu variará entre nublado e parcialmente nublado com baixas condições de chuva. Na quarta (6), a nebulosidade diminui ainda mais com o predomínio de sol. Temperaturas amenas, máxima de 23°C à tarde e mínima de 17°C na próxima madrugada.

Possível formação de nevoeiro na próxima madrugada Ventos fracos a moderados de norte, passando a sudeste na terça.

Escrito por:

Maria Teresa Costa