Publicado 05 de Maio de 2015 - 5h00

ig - JULIANNE CERASOLI

CEDOC

ig - JULIANNE CERASOLI

A explicação mais simples é que elas incrementam o show. A oficial é de que elas garantem mais segurança. Mas pode haver muito mais por trás do retorno daquelas faíscas brilhantes quando o assoalho dos carros bate no asfalto.

 

Não há dúvidas de que elas garantem grandes fotos, especialmente à noite, mas estão longe de representarem um retrocesso ou apenas uma forma artificial de reviver os bons tempos. O retorno das placas de titânio, responsáveis pelos ‘efeitos especiais’ que temos visto desde o início do ano, pode esconder um aspecto regulamentar da FIA.

 

Oficialmente, o diretor de provas Charlie Whiting explica que a mudança das pranchas de metal com madeira (que também batiam no solo, mas produziam as bem menos espetaculares ‘faíscas’ de madeira) para as de titânio visa a aumentar a segurança.

 

A questão levantada por Whiting é que pedaços de metal das antigas pranchas poderiam sair com mais facilidade que o titânio, o que seria evidentemente perigoso.

 

Além disso, como o titânio é três vezes mais leve, mesmo que se soltasse, o risco seria menor. Ainda que nada grave tenha acontecido, ocorreram alguns furos de pneus após pilotos passarem por cima de pedaços de metal que se soltaram.

 

Porém, essa pode não ser a história inteira. Até o ano passado, o metal era usado nos chamados calços da placa de madeira, ao redor dos quais a FIA media o desgaste da placa, que não podia ser de mais de 1mm ao final da corrida. Essa medida serve para assegurar que os carros estão respeitando o limite mínimo de altura, lembrando que é aerodinamicamente mais vantajoso encontrar maneiras de ‘grudar’ ao máximo o carro do solo.

 

E é justamente pelo metal ser pesado e sofrer menos desgaste que ele era o escolhido pelas equipes. O titânio, por sua vez, tem um desgaste de 2 a 2,5 vezes maior e teria sido esta a razão da troca: a FIA suspeitava que era possível andar com o carro abaixo do mínimo regulamentar e apertou o cerco.

 

A conversa no paddock é que apenas uma equipe foi contra a mudança — e seria exatamente quem estava usando tal brecha. Por todos os ‘jeitinhos’ que o time utilizou nos últimos anos para manter sua dianteira o mais colada possível no chão e ganhar aerodinamicamente por um rake (diferença de altura da dianteira e traseira) proeminente, a principal suspeita é a Red Bull, ainda que não haja confirmação.

 

Seja como for, esperamos por mais e mais faíscas durante o ano, enquanto, coincidentemente ou não, assistimos ao sem-número de reclamações dos tetracampeões de 2010 a 2013.