Publicado 07 de Maio de 2015 - 15h52

Por Agência Estado

Senadores e deputados criticaram o fato de o governo da presidente Dilma Rousseff não ter aceitado receber as mulheres do ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, e Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular. Mitzy Capriles e Lilian Tintori estão no Brasil desde o início da semana e participaram nesta quinta-feira (7) de uma reunião na Comissão de Relações Exteriores do Senado como parte da campanha internacional que têm feito em busca de apoio à libertação de seus maridos.

As venezuelanas chegaram a protocolar um pedido no Palácio do Planalto para serem recebidas por Dilma, mas até agora dizem não ter obtido resposta. Os senadores do PSDB José Serra (SP) e Aloysio Nunes (SP), presidente da comissão, também afirmaram que tentaram articular um encontro entre elas e algum representante do Ministério das Relações Exteriores, mas não obtiveram êxito.

"A omissão do governo brasileiro em relação à escalada do autoritarismo na Venezuela é vergonhosa. Nos atinge, a todos, como cidadãos que somos, e democratas que devemos permanentemente ser", disse o senador Aécio Neves (PSDB-MG), ao chegar à reunião.

Após as críticas, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o único petista presente na comissão, afirmou que a comitiva seria recebida pelo Itamaraty. Ele também lembrou que Dilma criticou a prisão de líderes da oposição na Venezuela durante a sua participação na Cúpula das Américas, em abril.

Em sua fala, Lilian Tintori afirmou que o "mundo inteiro sabe que não há democracia na Venezuela". Segundo ela, o governo do presidente Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez, "tem todas as características de uma ditadura" e mantém hoje 89 pessoas presas por questões políticas.

Um dos momentos mais emocionantes da reunião foi quando Rosa Orozco, integrante da comitiva venezuelana, contou que a filha foi assassinada durante uma manifestação no país. Ela mostrou uma foto em que mostrava que Geraldine Moreno havia sido morta com um tiro no rosto.

Após a reunião, a comitiva se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na terça-feira, a Casa aprovou um voto de censura ao governo de Maduro por causa do que classificaram como prisões políticas arbitrárias.

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