Publicado 06 de Maio de 2015 - 8h38

Por Agência Estado

Costa: "O maior problema é a gestão que fazem na companhia"

Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Costa: "O maior problema é a gestão que fazem na companhia"

Em seu quarto depoimento em comissões parlamentares para explicar o esquema de corrupção na Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa disse ontem que os malfeitos identificados pela Operação Lava Jato representam “apenas 10% do rombo” total da empresa.

Segundo ele, a política de defasagem de preços de derivados de petróleo foi o principal fator de prejuízo da empresa. “O governo manteve os preços congelados e arrebentou com a empresa”, afirmou no depoimento de mais de quatro horas, ao longo do qual conversou diversas vezes com alguns de seus cinco advogados. “O maior problema é a gestão que fazem na companhia, a gestão política. Lava Jato é 10% do rombo da Petrobras.”

Costa disse ter solicitado algumas vezes ao então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o aumento dos preços dos combustíveis. “A resposta negativa vinha do presidente do conselho”, afirmou.

O ex-diretor que fez delação premiada e cumpre prisão domiciliar disse aos deputados que o esquema de corrupção da Petrobras se deve a “maus políticos” e que doações oficiais de campanhas também são fruto de propina.

“Isso aconteceu por atitude de maus políticos. A gênese foi aqui em Brasília. A origem não foi na Petrobras. A origem veio aqui em Brasília”, afirmou Costa. “Não existe doação de empresas que depois essas empresas não queiram recuperar o que foi doado. Se ele doa R$ 5 milhões, ele vai querer recuperar na frente R$ 20 milhões”, disse o ex-diretor. “Os valores, sejam valores de doações oficiais ou não, têm restrições. Algumas empresas me falaram isso e agora, nas delações, isso está ficando claro. Não existe almoço de graça.”

Costa é acusado de intermediar negócios entre a Petrobras e empreiteiras, recolhendo propinas e distribuindo o dinheiro a partidos políticos.Se dizendo arrependido, ele citou uma série de políticos de PT, PSDB, PP e PMDB.

Mencionou os já falecidos ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE), ex-senador Sérgio Guerra e ex-deputado José Janene (PP-PR). Costa afirmou conhecer e ter mantido contados no âmbito do esquema de corrupção com nomes como Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, mas negou envolvimento com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O ex-diretor reafirmou aos parlamentares ter recebido do ex-ministro Antonio Palocci pedido de contribuição de R$ 2 milhões para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. Reafirmou também ter se reunido ao menos três vezes, entre 2009 e 2010, com Sérgio Guerra e com o líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PE), para que pagasse R$ 10 milhões pelo adiamento de uma CPI para investigar a estatal.

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