Publicado 31 de Maio de 2015 - 11h27

Por France Press

A marinha birmanesa barrou neste domingo (31) jornalistas que tentavam se aproximar de uma ilha remota onde se encontram mais de 700 migrantes resgatados na semana passada.

Repórteres tentam acessar a ilha de Thamee Hla, na foz do rio Irrawaddy, desde que as autoridades birmanesas anunciaram que tinham levado para lá 727 pessoas, incluindo 74 mulheres e 45 crianças, após o resgate em um barco à deriva em frente à costa do país.

A maior parte desses migrantes pertence à minoria muçulmana Rohingya, perseguida em Mianmar, ou são bengaleses que estão fugindo da pobreza em seu país de origem.

Nas últimas semanas, o êxodo em massa para Tailândia, Malásia e Indonésia têm causado uma crise que os governos da região estão tentando resolver.

Os jornalistas tentaram chegar a Thamee Hla em pequenos barcos e foram cercados por barcos da marinha birmanesa. Eles contam que foram forçados a apagar qualquer registro de seus cartões de memória, segundo relato de um repórter da AFP na ilha vizinha de Haigyi.

Alguns garantem que tiveram que assinar documentos prometendo não repetir a viagem.

A Marinha se recusou a comentar sobre o que aconteceu neste domingo.

A questão dos barcos de migrantes é uma questão sensível em Mianmar. A descoberta de dois barcos carregados de pessoas nas últimas semanas aumentou a tensão nas relações entre Bangladesh e Mianmar, vizinhos que se acusam de serem responsáveis pelos migrantes encontrados na Baía de Bengala.

Os 1,3 milhões de Rohingya que vivem em Mianmar são considerados imigrantes bengaleses ilegais pelas autoridades, embora em muitos estejam em território birmanês há várias gerações.

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