Publicado 08 de Maio de 2015 - 5h00

Por Bruno Bacchetti

Francisco Antonio Pereira, que  mora em Sousas, escreveu frases nas paredes da casa

Dominique Torquato/ AAN

Francisco Antonio Pereira, que mora em Sousas, escreveu frases nas paredes da casa

“Vá em busca de seus sonhos, não deixe que o medo atrapalhe”. Essa é uma das dezenas de frases que ilustram a parede da casa do pintor Francisco Antonio Pereira, de 54 anos, natural de Castanhal, no Pará, distante cerca de 70km da capital Belém. Ele veio para Campinas há quatro anos e mora sozinho em uma pequena casa no Jardim Conceição, em Sousas. Pereira começou a pintar as frases nas paredes e até no teto há aproximadamente um ano, como forma de se expressar e espantar a solidão.

E não parou mais, espalhando a arte por vários cômodos. No entanto, o paraense terá que deixar a casa até o final de semana por decisão dos proprietários do imóvel, e provavelmente terá que cobrir as frases que escreveu nas paredes.

Inspiração

Pereira conta que a inspiração para as frases vem de letras de música, poesias e para-choques de caminhão. Porém, algumas são de sua própria autoria, fruto de reflexão e pensamentos que acompanham o nortista. A ideia começou de forma despretensiosa e foi tomando corpo ao longo do tempo. “Fiz uma frase ali, outra acolá e tive a ideia de encher a parede. São frases que vejo na traseira de caminhão, poesia, algum trecho de música. É um modo de expressar. Como estou só, é como se conversasse com a gente mesmo. Sempre gostei de escrever”, conta, orgulhoso.

Entre as frases pintadas por Pereira estão o trecho da música 'Chega', do cantor Silvio Brito, sucesso nos anos 1970: “Chega de ficar calado, de ver tudo errado e só dizer sim”. Existem sentenças de otimismo (“Não há vitória sem luta, mas não há luta sem vitória” e “Não lembre do passado para não ter medo do futuro”), religiosas (“Ame a Deus sobre todas as coisas, ame a vida, ame o próximo, que você não é melhor que ele” e “Obrigado, Senhor”) e românticas (“Quem ama, abraça. Quem ama, cuida. Dá carinho. Dá amor”).

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À espera

A expressão do pintor, no entanto, muda quando pensa na possibilidade de ter que cobrir com tinta as frases escritas com tanta inspiração. A casa é alugada e os proprietários requisitaram o imóvel para vendê-lo. “Estou saindo daqui porque essa casa é de vários donos e pediram de volta para vender. Vou falar com eles no sábado, quando vou saber se vão querer que pinte. É triste. Fiz um trabalho com tanto carinho para acabar de uma hora para outra”, lamenta.

Entretanto, apesar da apreensão, ele não pensa em parar com a pintura das frases. “Vou mudar no domingo ou na segunda-feira, e pretendo fazer a mesma na outra casa”, planeja.

À vontade em Campinas, para onde se mudou a fim de ficar próximo da família que mudara para a cidade, o pintor não pensa em retornar para o Estado natal, e sequer cogita deixar o distrito de Sousas. “Primeiro veio um cunhado, irmã, irmão e minha filha. Vim para cá ficar com a família. Na minha cidade tem muitos assaltos. Quando cheguei ficava gelado de medo se precisasse sair à noite. Mas agora me acostumei, gosto muito daqui e acho muito bom. Já passei por outros bairros e nenhum é igual”, sentencia.

Escrito por:

Bruno Bacchetti