Publicado 05 de Maio de 2015 - 16h59

Por Suzamara Santos

 A fúria do Vulcão Calbuco, ao sul do Chile: cinzas chegam à Argentina e ao Sul do Brasil

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A fúria do Vulcão Calbuco, ao sul do Chile: cinzas chegam à Argentina e ao Sul do Brasil

A temporada de vindimas no Chile passou. As festas dos agricultores e amantes de vinho ocupam os meses de março e abril e não encontro qualquer reflexo da erupção do Vulcão Calbuco, anunciado como um dos três mais perigosos do país, na vitivinicultura. Ainda que as cinzas tenham chegado ao Sul do Brasil e trazido um colorido lindo ao entardecer de Campinas, pelo menos nas breves incursões que fiz pelo Google, nada foi mencionado sobre isso. Talvez os vinhedos não tenham sido atingidos; ou ainda não houve tempo para mensurar eventuais consequências e, por fim, essa seria uma preocupação secundária sobre a qual se dedica um ou outro enófilo.

 

Foto: AFP

A fúria do Vulcão Calbuco, no Sul do Chile: cinzas chegaram à Argentina e ao Brasil

A fúria do Vulcão Calbuco, no Sul do Chile: cinzas chegaram à Argentina e ao Brasil

 

Well, well... Pode ser... Mas antes de enfiar o assunto no saco das futilidades, especialmente neste momento em que o mundo se compadece da tragédia do Nepal, é bom lembrar o que o vinho representa ao Chile, tanto cultural como economicamente. Fomenta exportações, atrai turismo, cria empregos, movimenta economias regionais, enfim, o Carménère que nos encanta à mesa é mais do que um prazer gastronômico. As colheitas nas regiões de Colchágua, Curicó, Pirquer e Casablanca já foram feitas e as vinhas estão passando ou vão passar pela fase de poda, em que a planta é preparada para renovar energia, captar nutrientes e ganhar riqueza para a próxima safra. Sim, o vinho elaborado este ano está a salvo do vulcão. Mas, e os próximos? Não vi notícia sobre isso. No entanto, será que as cinzas que atingiram países vizinhos não chegaram aos vastos vinhedos chilenos? Se sim, que reflexo teria à produção? Um vinho de características desagradáveis, uma vez que estamos lidando com uma espécie muito permeável a qualquer variação de clima, solo, umidade, insolação etc? Um vinho original e elegante, lembrando que há excelentes exemplos de bebidas originadas em regiões vulcânicas (mas aqui estamos falando de terroir, não de um episódio sazonal)? Ou até nenhuma interferência?

 

Seja lá qual for o efeito, os produtores não estão perdendo o sono - ou não deveriam - por um motivo muito simples. Já estão acostumados ao imprevisível. Uma excelente safra pode ser imediatamente sucedida por outra medíocre e até por uma sequência de anos ruins. É assim desde que vinho é vinho. Em contrapartida, um rótulo que ostenta uma boa safra é um trunfo para enfrentar eventuais fases de vacas magras, já que com a idade os vinhos de guarda multiplicam de valor. Saúde!

Escrito por:

Suzamara Santos