Publicado 27 de Março de 2015 - 14h27

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) retirou 49 imóveis existentes no Centro Histórico da lista de indicados para preservação – não são tombados, mas os , proprietários são obrigados a preservá-los, sem ter com isso qualquer benefício. Eles são parte de um processo que envolvia a análise de 57 imóveis na região da Praça Luiz de Camões, dos quais quatro foram tombados e outros quatro ainda serão avaliados em estudo sobre a possibilidade de tombamento. Até o final do primeiro semestre, informou o historiador Henrique Anunzziatta, o Condepacc deverá concluir a análise global de todos os imóveis do Centro Histórico.

Com a decisão, os proprietários dos imóveis que sairam da categoria de indicados para preservação poderão reformá-los e até demoli-los. Para decidir qual preservar e qual liberar, a Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), braço técnico do Condepacc, está se baseando em um levantamento histórico, com mapas, protocolos, plantas que formam o inventário do Centro Histórico e Centro Expandido. Nesse inventário estão cadastrados cerca de 6,7 mil registros de pedidos de reforma, ampliações, construções de imóveis entre 1892 e 1945. Quando o conselho decidiu iniciar os estudos de cada um, a expectativa era de que pelo menos 40% dos imóveis relacionados poderia ser tombados. Os estudos ainda não estão concluídos.

Imóveis na região do Guanabara e do Largo do Pará já foram tratados e na próxima reunião, os conselheiros irão analisar os processos e o inventário para definir quais bens serão tombados ou liberados na região do Hospital Penido Burnier e da antiga rodoviária.

A avaliação do inventário gerou 34 processos envolvendo 457 imóveis existentes no entorno de bens tombados na região central, com potencial de preservação. Segundo o historiador, 12 processos já foram finalizados. Entre os imóveis estão casas, solares, bangalôs, moradias de ferroviários, enfim, um conjunto de um período em que o espaço geográfico campineiro foi transformado pela crescente urbanização consolidada pelo processo de industrialização. Desse mecanismo surgiu um novo padrão urbanístico. A partir de 1925, a área urbana começou a ser alargada, duplicando suas dimensões em alguns anos, com o retalhamento das chácaras periféricas e de antigas e improdutivas fazendas de café, devido, principalmente, à demanda por habitação.

Os imóveis indicados para preservação geralmente são antigas casas que estão no Centro Histórico e perto de bens tombados. Em 1997 houve um início de revisão e 74 imóveis foram desincorporados da categoria de indicados para preservação. A ideia é enxugar as áreas envoltórias e estabelecer novos critérios de preservação.

Quando um imóvel é indicado para preservação, o proprietário tem os mesmos ônus existentes sobre os bens indicados para preservação são muitos. Os proprietários têm obrigação de conservá-los, não podem demolir ou reformar sem autorização do Condepacc, mas não tem como benefício a isenção do IPTU e nem podem recorrer a linha especial de financiamento para restaurar a edificação, como ocorre com os proprietários de bens tombados.

RETRANCA

Um conjunto de antigas casas nas ruas Barreto Leme e Saldanha Marinho foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), como representativo de um período do desenvolvimento de Campinas, que ocorreu a partir do final do século 19. São casas com porão, situadas no entorno da Praça Luiz de Camões e junto da Beneficência Portuguesa, cuja sede do hospital foi projetada em 1930 com referências dos estilos neoclássico e barroco e que formam o ecletismo na arquitetura do século 19.

O tombamento inclui três casas na rua Barreto Leme e uma na Saldanha Marinho. O conselho também decidiu estudar outro quatro imóveis naquela região para definir se serão preservados como patrimônio de Campinas – três na Rua 11 de Agosto e um na Avenida Andrade Neves. Esses imóveis são ocupados por bar, hotel e por um plano de saúde

ELEMENTO

457

Imoveis

é o número de bens indicado para preservação que está sendo reavaliado

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