Publicado 27 de Março de 2015 - 13h54

Por Marita de Siqueira

Marita Siqueira

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Divulgação

O grupo Antropoantro, formado por sete artistas plásticas de Campinas, estreia hoje a inédita exposição coletiva Anotações dos Sete Pecados, na qual instiga a reflexão sobre os sete pecados capitais. Cada uma focou em um tema. Beth Schneider discute a luxúria, Inês Fernandez, a ambição, Lalau Mayrink, a preguiça, Olivia Niemeyer, a inveja, Sílvia Matos, a ira, Tina Gonçalez, a vaidade, e Vane Barini, a gula. As obras são resultado de dois anos de pesquisa processo criativo sob a curadoria de Marco do Valle e ficarão a mostra até o dia 25 de abril no Museu da Imagem e do Som, no Centro, integrando a programação dos 40 anos da instituição.

De acordo com o curador Marco do Valle os trabalhos destas artistas não pretendem ser uma divulgação de empenho moral, mas apontam como anotações ou visões deste mundo contemporâneo. “Cada uma das artistas mergulha estes temas ou pecados no mundo contemporâneo. Com isto, revelam, ainda que por pouco tempo, por oposição ou indiferença, nossa percepção do que vivemos aqui e agora”, avalia.

Tina buscou no antigo testamento o mote para seu tema, Vaidade de Vaidades, Tudo é Vaidade, mas trouxe para a contemporaneidade a conceito de autoretrato ou selfie. Segundo ela, o como um reflexo que se firma através do olhar do outro para alcançar simultaneamente, a admiração e a inveja. “Como um selfie hipérbolico que se estende ao infinito, a modulação dessa autoimagem é construída como parte de um discurso metafórico”, diz a respeito das fotos em frente o espelho, cujo anteparo não deixa que se distingua nitidamente a imagem.

Beth reuniu fotografias de um par de sapatos feminino preto, em diferentes posições, dentro de um espaço contido no que titulou de O Meu Olhar se Prenderá aos Teus Sapatos. De maneira sutil e metafórica, fala sobre a luxúria construindo um elo com a sensualidade e o fetiche. Lalau, para diz sobre a preguiça, usou como inspiração o personagem Macunaíma, de Mário de Andrade. Elogio à Preguiça ou Homenagem a Macunaíma tem três redes rústicas com frases literárias, trazendo a ideia da preguiça sadia ou do ócio produtivo que é deitar-se para ler um bom livro.

Quando o Muito é Pouco, nome da obra de Inês sobre a ambição, é composto por uma Instalação feita de tubos de PVC, conexões e moedas mais quatro fotografias que dialogam com a esculturas. Inveja: Mais ou Menos Mira, de Olivia, levanta a bandeira da inveja boa, que, segundo ela, os artistas tem de outros artistas, àqueles que o inspiram. No caso dela e deste trabalho especificamente, a “inveja” recai em

Mira Schendel, representadas em peças de acrílico.

Já Sílvia traz a ira em tela de grande dimensão (400 cm x 300 cm) e uma instalação na parede trazendo a imagens cruz. Por aqui não se passa sem que se sofra o calor do fogo foi inspirado na obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que coloca a raiva no quinto Círculo do Inferno onde são castigados os irados e rancorosos. Por fim, Vane apresenta um vídeo para mostrar uma retroescavadeira demolindo uma casa, levando a pensar a fúria, a vontade de comer que gera a gula.

Agende-se

O quê: Exposição Anotações dos Sete Pecados, do grupo Antropoantro

Abertura: Hoje, ás 10h30

Visitação: Terça a sexta, das 10h às 18h, e sábado, das 10h às 16h. Até 25/4

Onde: MIS Campinas (Palácio dos Azulejos, na Rua Regente Feijó, 859, Centro, fone: 3733-8800)

Quanto: Entrada franca

Escrito por:

Marita de Siqueira