Publicado 26 de Março de 2015 - 17h40

Por Sarah Brito Moretto

Fotos: César (três denúncias) e Leandro (seis)

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Com incidência alta – de 100 a 300 casos a cada 100 mil habitantes – em quase todas as áreas da cidade, Campinas vive uma nova epidemia e preocupa os moradores, que enviam diariamente denúncias de possíveis focos do criadouro do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. Exterminar criadouros é a maneira mais eficaz de acabar com a transmissão. Os meses de março e abril são considerados o meses de pico da doença, e os “fiscais” de Campinas estão atentos para os locais. Ontem, o Correio Popular visitou nove lugares. Duas das denúncias foram visitadas pelo Correio Popular no ano passado, durante o pico da epidemia de dengue, que teve mais de 40 mil casos durante o ano todo.

Os leitores enviam os pontos que são possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti via redes sociais, telefonemas, e-mails para a redação ou pelo aplicativo Whatsapp. Também é possível enviar informações pelo Portal RAC ou Correio.com.br. Os endereços são vistoriados e publicados no jornal diariamente, além da reportagem procurar os responsáveis pelas residências ou Prefeitura

O primeiro ponto visitado foi na Avenida Princesa DOeste, no Jardim Proença. O local foi denunciado no ano passado e volta a preocupar os moradores: um prédio de 11 andares inacabado e que acumula água da chuva nas lajes e no primeiro piso. Em meio a epidemia da doença na cidade, os vizinhos acreditam que o local reúne condições ideais para ser um grande criadouro de dengue na região.

Segundo moradores, o edifício está abandonado há mais de 10 anos, e restou apenas o esqueleto do que seria um condomínio residencial. Todas os lugares onde seriam janelas estão abertas, expostos ao tempo. Há ainda platôs na primeiro andar do prédio, que também acumula água, e no térreo há entulho. Um comerciante do entorno afirmou que no térreo existe ainda uma mina dágua, que favorece o acúmulo de água limpa e parada. Ao lado do prédio, um terreno com mato alto também preocupa os vizinhos. Antes, era uma clínica odontológica, que aos poucos foi sendo colocada à baixo.

O prédio é apenas um dos muitos esqueletos abandonados há anos, que estão na cidade. Dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que em Campinas há cerca de 26 mil imóveis desocupados. O número, porém, não é considerado pela Prefeitura, que iniciou uma tentativa de mapear o Centro no ano passado.

Intertítulo – Casas

Além do prédio, outras quatro casas preocupam moradores do Cambuí, Botafogo e Vila Marieta. Em comum, são imóveis fechados há anos e que estão com parte do telhado aberto, sem telhas. Com as chuvas, o temor é que a água se infiltre na residência e fique parada.

O primeiro é na rua Antônio Lapa. No local funcionava antes um bar. De acordo com moradores, o local está fechado há dois anos e não tem manutenção. A casa também acumula entulho, pois parte da estrutura do fundo desmoronou há um mês.

O segundo lugar é um casarão histórico na rua Antônio Cezarino, próximo ao Centro de Convivência. No local, funcionava há anos um bar. Hoje, parte do telhado está aberto e os vizinhos afirmaram que moradores de rua utilizam o espaço. A aposentada Irene Paul, de 72 anos, conta que existem muitos pernilongos no bairro. “É uma casa linda, tombada, mas precisa de manutenção. Precisa de fiscalização. Não podemos continuar assim”, disse.

No bairro Botafogo, o problema ocorre em dois imóveis que estão para alugar, na rua Culto à Ciência. Eles ficam próximos ao número 500 e são um ao lado do outro. Um imóvel era um antigo restaurante e, ao lado, um imóvel usado como residência.

O antigo restaurante está com a janela aberta. Na residência, é possível ver pelo portão de madeira que existem latas de metal, baldes e outros entulhos espalhados pelo quintal. Ambas casas estão para alugar pela imobiliária Marcucci, que fica na mesma rua dos imóveis. A imobiliária informou que a Prefeitura esteve no local e fiscalizou possíveis focos de dengue. A empresa também informou que vai limpar os dois imóveis.

A última casa fica na rua Fausto Dias de Mello, na Vila Marieta. A residência foi alvo de denúncias no último ano, também por temor de vizinhos de ser um possível criadouro de dengue. Segundo vizinhos, a casa reúne todas as condições necessárias para a criação do mosquito. Além de pedaços de madeira, tijolos, cobertores e mato alto, o quintal da residência tem uma grande quantidade de vasos, baldes e latas de tinta, que acumulam água quando chove. A casa fica na mesma rua de uma escola municipal de ensino infantil. O local foi abandonado há cerca de dois anos.

Intertítulo – Terreno

Um terreno ao lado de uma escola municipal infantil é o pesadelo dos moradores do bairro Santa Eudóxia pois acumula lixo e o mato está alto. Com a chuva, a água fica parada, relataram os vizinhos, que pediram para não ser identificados. Há garrafas pet, embalagens plásticas e outros objetos que são propícios para que o mosquito da dengue deposite seus ovos. Os ovos são colocados na parede dos objetos, e, mesmo sem água, eles resistem por até dois anos.

Desde 2013, a Secretaria de Serviços Públicos notificou 2.791 responsáveis para que mantenham suas calçadas em ordem. Além disso, por mês, têm sido notificados, em média, 400 proprietários para que façam a limpeza de seus terrenos.

Intertítulo - Canteiros

Dois pontos na Avenida Amoreiras têm preocupado moradores e motoristas que passam pelo local: os canteiros centrais da via estão sem flores ou plantas, e acumulam água. Os canteiros percorrem a avenida e a água não é absorvida rapidamente pela terra embaixo. Ontem, havia água parada em vários pontos, apesar de não ter chovido nos últimos dias.

Intertítulo - Tipos de criadouro

A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. É preciso ficar atento a limpeza de calhas, piscinas e caixas dágua, que podem acumular água da chuva. O mosquito se reproduz em água limpa e parada. Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície.

Intertítulo – Prefeitura

A Prefeitura de Campinas informou, por meio de assessoria de imprensa, que “todas as demandas estão sendo encaminhadas de forma que cada setor responsável possa atuar para sanar o problema”

Em relação ao canteiro central com flores da Avenida Amoreiras, a Vigilância em Saúde vai até o local para verificar se há problema com o escoamento e que providência pode ser adotada. O terrenos apontado pela reportagem, no bairro Santa Eudóxia, será visitado pela equipe do Cofit (Fiscalização de Terrenos). Os imóveis abandonados serão incluídos nas demandas das Vigilâncias em Saúde do município.

Em relação à praça de esportes, a denúncia será averiguada pela Secretaria de Esportes, informou a Administração pública.

Escrito por:

Sarah Brito Moretto