Publicado 26 de Março de 2015 - 17h32

Por Sarah Brito Moretto

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A Secretaria de Saúde de Campinas divulgou ontem o novo balanço da dengue na cidade: são 7.621 os casos confirmados e 7.284 sob investigação. Somente em março, foram 3.526 novos casos da doença na cidade. A escalada vem desde o começo do ano, quando Campinas registrou 1.176 casos em janeiro e 2.919 em fevereiro. Com esses números, a cidade registrou a pior marca histórica para o bimestre desde 1998, quando os começaram a ser registrados.

Já comparado ao mesmo período do ano anterior, o número é maior: foram 1922 confirmações em 2014 até março. Ano passado, Campinas teve 41.218 casos no ano inteiro. Os casos de pacientes que estavam com sintomas antes da suspensão da sorologia – que ocorreu na segunda-feira, 23 – serão ainda acompanhados pelos exames. Isso porque há possibilidade de descarte da doença tanto pelo resultado laboratorial como por exame clínico.

A sorologia é suspensa a partir de quando há 80 notificações para cada 100 mil habitantes. O número é o correspondente a cidades com mais de 500 mil habitantes. A sorologia é colhida no sétimo dia da doença. Os exames para casos graves e óbitos relacionados à dengue continuam sendo realizados.

O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) informou ainda que a cidade tem 132 pessoas com dengue com sinais de alerta e três pacientes correm risco de morte, por estarem com a forma grave da doença.

A forma grave antes era chamada de dengue hemorrágica, por ter sintomas como sangramento e falência dos órgãos. Em Campinas, um homem de 78 anos, morador da região Leste da cidade, morreu de dengue este ano. Há ainda outras duas mortes que ocorreram na cidade, mas as pessoas foram infectadas em municípios distintos. Outros quatro óbitos estão em investigação.

A região Sul é a mais afetada da cidade, com 2.839 casos. A região Sul é composta pelos bairros Swiss Park, Jardim Proença, Parque Prado Jardim Leonor, Vila Formosa, Jardim Campo Belo e ocupações (Parque Oziel). Em seguida, vem a região Leste, com 2.087 casos, composta pelos bairros Nova Campinas, Taquaral e os distritos de Sousas e Joaquim Egídio.

Este ano, a doença teve maior transmissão em bairros que não foram tão atingidos como no ano passado. Este ano, as regiões Noroeste (região do Campo Grande) e Sudoeste (área do Ouro Verde, Aeroporto de Viracopos e DICs ) tiveram 302 e 897 casos, respectivamente.

Intertítulo – Tendência

Segundo o médico epidemiologista da Vigilância em Saúde, André Ribas, o momento ainda é de observação da curva epidemiológica, uma vez que os meses de março e abril são considerados os de pico da transmissão da doença. “O que vai ser daqui para frente depende do clima. Vamos observar”, afirmou.

O mosquito transmissor da doença – a fêmea do Aedes aegypti – tem o metabolismo acelerado em período de calor. Com isso, aumenta o ciclo reprodutor e há mais pernilongos. Hoje, em Campinas, o sorotipo que circula é o número 1. Há baixa possibilidade de um novo sorotipo ser introduzido, uma vez que o 1 é o que circula nas cidades da região.

Intertítulo - Assistência

Os centros de saúde com maior número de casos já organizaram os fluxos de assistência para atender com maior agilidade os casos suspeitos da doença. Foram feitas reuniões com representantes dos hospitais para sensibilizar equipes sobre a doença e atualizar sobre o manejo clínico (que estabelece protocolo de cuidados com o paciente). A Prefeitura montou alas especiais em unidades de saúde com o objetivo de atender pacientes com suspeita de dengue e, além disso, tornou a prevenção à doença um assunto de responsabilidade de diversas secretarias.

O paciente que estiver com sintomas de dengue - febre, dor no corpo, dor de cabeça - deve procurar atendimento médico e manter-se hidratado. A maior parte de complicações e mortes ocorrem por desidratação devido a doença.

QUADRO

Sul – 2.839 casos

Leste – 2.087

Norte – 1.498

Sudoeste – 897

Noroeste - 302

Escrito por:

Sarah Brito Moretto