Publicado 26 de Março de 2015 - 14h03

Por Rogério Verzignasse

Fotos e vídeo do Dori,

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Quando a dona Darci estava na clínica para a quimioterapia, ela correu os olhos pela sala e notou, pela primeira vez, os semblantes de tanta gente que, como ela, enfrentava a dura batalha contra o câncer. “Não sou só eu que estou sofrendo”, pensou. No mesmo dia, ela resolveu escrever um livro, com depoimentos de 12 pessoas que precisavam falar, desabafar, compartilhar alegrias e tristezas. Um ano e meio depois, o livro sai da gráfica. São 200 páginas, com fotos dos pacientes e depoimentos emocionados.

Ah, sim. Darci Maria Pascoal Palombo, uma senhora que já passou dos 70 anos de idade, achou no começo que conseguiria um patrocínio para fazer entrevistas, arrecadar imagens, contratar a impressão. Mas ninguém se interessou. E ela, da sua parte, também não queria esperar. Pagou os R$ 6 mil cobrados pela publicação de 500 exemplares de Não Estamos Sós. Claro, pediu ajuda do marido, o bancário aposentado Gilberto, e da filharada. A obra será lançada no Regatas, no sábado.

A escolha do clube não foi por acaso. Darci, os associados sabem, foi diretora de comunicação do Regatas por quase 23 anos. Ela, professora de formação, se apaixonou pelo trabalho, e nunca pensou em sair de lá. Mas apareceu a doença. Há pouco mais de uma década, ela descobriu que tinha câncer no seio. Depois, a doença apareceu no pulmão, em 2008 e 2013. Hoje, após radioterapia e quimioterapia, a dona está bem, sorridente. Os cabelos cresceram de novo, e ela deixou de usar a peruca e o lenço.

Lá na Oncocamp, que atende pacientes com câncer no Guanabara, ela conheceu e fez amizade com pessoas de várias faixas etárias e ocupações profissionais. Todos, conta, passaram pela fase do inconformismo, da depressão, da dor, da tristeza. O diagnóstico do câncer, fala, abala até os mais fortes|: o mundo parece desabar, e os pacientes passam a conviver com a ideia da morte.

Mas foi exatamente a troca de experiências que os fortaleceu na luta. “Foi impressionante descobrir como foi importante, para cada um deles, o amparo de quem estava por perto: amigos, parentes. A gente supera os medos e as frustrações quando sente, ao lado, a presença de quem te ama”, fala. Os pacientes também foram unânimes ao relacionar, nos depoimentos, a melhor das terapias: a fé. “Católicos, evangélicos, espíritas... Todos acreditavam que Deus olhava por eles, mesmo nos momentos mais difíceis.”

Para Darci, frequentadora da Igreja de Nossa Senhora das Dores, foi catequista quando mocinha, e se considera uma católica fervorosa. A experiência do câncer e os depoimentos colhidos, no entanto, lhe deram um grande ensinamento: “Em todas as religiões, se busca o mesmo Deus. E foi lindo ver como a fé é incondicional: não importa as denominações e os ritos.”

A dona espera ver todos os amigos no Regatas, durante o lançamento. Cada exemplar, fala, será vendido a R$ 30,00. Ela quer, naturalmente, que a venda do livro cubra as despesas com a gráfica e a organização do pequeno coquetel. E ainda sonha que uma editora vai se interessar na publicação. Mas o que ela mais ganhou com o trabalho, diz, foi o enriquecimento pessoal de ouvir tantas histórias. Ah, todos os 12 pacientes ouvidos, vão ganhar exemplares do livro, decorados com fita. Eles animados, saudáveis, retomando a vida de antes”, diz.

SERVIÇO

O lançamento do livro Não Estamos Sós acontece ás 7h de sábado, dia 28, no Red Hall do

Clube Campineiro de Regatas e Natação, no Cambuí. A entrada é franca. Cada exemplar do livro custa R$ 30,00. Contatos com a autora podem ser feitos pelo telefone (19) 3252-0703

DEPOIMENTOS

“Desde o começo, acreditei que tudo que estava acontecendo tinha um propósito. Talvez eu nunca saiba a qual é esse propósito, mas Deus sabe. E isso me conforta demais.”

RICARDO ALEXANDRE SDUARIZZI

Empresário

“Escolhi aquietar minha mente, ouvir meu coração. E ouvi que a força está dentro de nós. Tudo passa na vida, mas faz diferença como cada um passa. Eu optei pelo otimismo, pela coragem.”

LUCIANE SCOMPARIN DESSANO

Jornalista

“Tenho certeza que sem fé _ minha, de minha mulher, das pessoas que rezaram por mim _ jamais poderia chegar ao ponto que cheguei, e perceber como não estamos sós. O segredo é optar pela vida. O mais Deus fará.”

SÉRGIO VASQUEZ

Engenheiro eletrônico

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Rogério Verzignasse