Publicado 25 de Março de 2015 - 17h02

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

[email protected]

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) regulamentou a área envoltória do antigo Conjunto da Imigração de Campinas, um conjunto de três edifícios construídos na área ferroviária de Campinas para receber os imigrantes que chegavam no Estado de São Paulo e ficavam em quarentena antes de ir trabalhar na lavoura ou nas indústrias da região. Conforme resolução publicada ontem no Diário Oficial do Município, a área envoltória foi fixada em zero, já que as edificações estão inseridas na área tombada do Complexo Ferroviário Central.

e edificações se inserem na área tombada do Complexo Ferroviário Central da FEPASA

Pela Hospedaria dos Imigrantes, conjunto construído na avenida Salles de Oliveira, passaram cerca de 1,5 mil imigrantes, entre 1904 e 1909, segundo o historiador Henrique Anunziatta, que durante dois anos pesquisou esses prédios para montar o processo de tombamento.

Eles começaram a ser construídos em 1887, ainda no Império, mas pararam. As obras só foram retomadas em 1892 e finalizadas em 1904, simbolizando a primeira intervenção, do ponto de vista administrativo, da República em Campinas, segundo a historiadora da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), Daisy Ribeiro.

Não foi a primeira hospedaria de imigrantes de Campinas. De acordo com Anunziatta, e xistiu, desde 1885, uma hospedaria provisória no Largo de Santa Cruz. Nessa época, o acolhimento dos imigrantes em Campinas era realizado nos galpões da antiga fábrica dos Irmãos Bierrenbach no Largo de Santa Cruz, funcionando como alojamento provisório. Esses albergados, geralmente, sem destinação pré-determinada, permaneciam aguardando propostas de trabalho ou mesmo esperando a chegada de suas bagagens e pertences. Parte deles aguardava baldeação para o destino último. Os dados sugerem que abrigo tinha, inclusive, regulamento próprio.

O historiador apurou que há registros de que o Mercado Grande teria sido usado em situação emergencial como alojamento dos imigrantes. “Realmente, em abril de 1885, uma grande leva de imigrantes italianos e portugueses chegaram em Campinas parte com destino certo e outros sem contratos de trabalho. A situação foi tão grave que os acontecimentos de Campinas repercutiram na Corte”, disse.

Segundo a pesquisa de Anunziatta, a Gazeta de Notícias, editada no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1885, reproduzia noticia estampada no Diário de Campinas, tratando da situação de imigrantes italianos e portugueses que perambulavam pelas ruas da cidade. “A pobre gente queixava-se muito, registra o periódico campineiro. Desorientados, muitos deles, afastados de seus familiares e sem destino estabelecido, caminhavam pela cidade desesperados”, informa. O Diário recomendava que deveriam permanecer no alojamento dos imigrantes. “É muito inconveniente deixar saírem do alojamento de imigrantes todos aqueles que não tenham obtido colocação imediata, pois ficam desamparados, sem recursos, num estado de desespero que inspira a maior comiseração”.

Esse quadro de relativa dificuldade vivido pelos imigrantes levou o vereador José Paulino Nogueira, em outubro de 1887, a sugerir à Câmara a criação de hospedaria para imigrantes e seus familiares que eram destinados aos fazendeiros de Campinas e da região. Campinas, como importante entroncamento ferroviário e centro dinâmico da agricultura de exportação, carecia de um ponto receptor e difusor de colonos estrangeiros no entendimento do vereador.

O terreno escolhido ficava na rua Francisco Theodoro com fundos para a rua Salles de Oliveira, na Vila Industrial. Foi construído naquela área, mas a formalização da aquisição do terreno não foi finalizada. A regularização do imóvel se deu, apenas, em 1909. Nesse período, disse Anunziatta, foi um alojamento que quase nada alojou e uma hospedaria que pouco hospedou – cerca de 1,5 mil pessoas em cinco anos.

Escrito por:

Maria Teresa Costa