Publicado 25 de Março de 2015 - 17h01

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado (Daee) já trabalha com a possibilidade de chegar ao início da estiagem, em 30 de abril, sem conseguir recompor o volume morto dos reservatórios do Sistema Cantareira, que começou a ser bombeado em maio do ano passado. Nas contas do departamento, faltarão 65 bilhões de litros para que as barragens recuperem o volume morto, cuja capacidade total prevista em projeto é de 485 bilhões de litros. A Agência Nacional de Águas (ANA) queria que os reservatórios fossem operados no período da chuva com restrições para que, quando a estiagem chegasse, o sistema pudesse operar com pelo menos 10% do volume útil.

“Vamos entrar o período de seca contando apenas com o volume morto para garantir água para as regiões de Campinas e São Paulo, o que é crítico, porque teremos muita dificuldade de garantir a recomposição das reservas e um risco grande de enfrentarmos o próximo Verão de seca”, disse o especialista em recursos hídricos, José Henrique de Oliveira.

O Daee analisou um cenário em que as afluências ao sistema, ou seja, o volume de água que entra no reservatórios, permaneçam em 60% das médias mensais da série histórica, que é de 59,5 metros cúbicos por segundo (m3/s) e março e de 43,3 m3/s em abril, e as saídas (defluências totais) se mantenham na atual magnitude de 10 m3/s. Partindo dos atuais 340 bilhões de litros, será possível atingir um total armazenado em torno de 420 bilhões de litros ao final de abril. Serão necessários ainda 65 bilhões de litros para recompor todo o volume morto.

O superintendente do Daee, Ricardo Borsari, informou em oficio à Ana que os Comitês das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiai (PCJ) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) vêm fazendo esforços consistentes para manter as retiradas do sistema equivalente em valores reduzidos e as condições climáticas têm ajudado na sua recuperação, mesmo que parcial. “No nosso entendimento, praticar retiradas de baixa magnitude, como vem ocorrendo, continua sendo a forma viável para administrarmos o Sistema Cantareira, desde que não inviabilize o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo”, afirmou.

Dos 485 bilhões de litros que formam a capacidade do volume morto, o governo do Estado bombeou duas cotas – uma de 182 bilhões de litros a partir de 16 de maio e outra de 105 bilhões de litros, a partir de outubro. As chuvas abundantes de fevereiro conseguiram recompor a segunda cota e atualmente está recompondo a primeira. Quando a Sabesp passou a captar a primeira cota do volume morto, o bomeamento ampliou o volume de água para 18,5% da capacidade. Em outubro, iniciou a captação da segunda cota, que ampliou em 10,7%. Ou seja, desde maio, as duas cotas juntas ampliaram o armazenamento em 29,2%. A segunda cota foi recuperada com as chuvas de fevereiro e está em operação a primeira, que deixa o sistema operando em 11,2% negativos em relaçao ao volume útil original do conjunto de reservatórios.

ELEMENTO

Cantareira – 18%

Rio Atibaia – 23,9 m3/s

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