Publicado 24 de Março de 2015 - 18h57

Por Adriana Leite e Silva

Fotos de divulgação

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Apesar do cenário de baixo crescimento, muitas empresas mantêm os investimentos e vão inaugurar novas fábricas. Ontem, a Bionovis anunciou que irá investir R$ 739 milhões nos próximos dez anos em uma fábrica de biomedicamentos em Valinhos. A Vedacit irá aplicar R$ 110 milhões em uma planta de mantas asfálticas em Itatiba. No começo deste mês, a Sky fez o lançamento oficial de um centro tecnológico, em Jaguariúna, que receberá mais de R$ 1 bilhão. Apenas neste mês, foram anunciados mais de R$ 1,8 bilhão em novos projetos produtivos na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

O governo do Estado realizou uma cerimônia, ontem, no Palácio dos Bandeirantes para apresentar o projeto da Bionovis. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou um decreto de desoneração que beneficia empresas da área de biotecnologia na aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado nas fábricas. O texto estipula que fica suspensa a cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na importação de bens, sem similar nacional e do diferimento do imposto na aquisição de bens de fabricante localizado no Estado.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio França, afirmou que São Paulo tem vantagens competitivas em relação a outras regiões como mão de obra especializada, estrutura logística e estabilidade de governança. “Os investidores buscam segurança na hora de investir. O Estado de São Paulo tem várias vantagens, além de ser o maior mercado consumidor do País”, disse. Ele ressaltou que os incentivos fiscais ajudam na atração de empresas, mas não são o principal fator analisado pelas empresas.

O presidente da Investe São Paulo - Agência Paulista de Promoção de Investimentos, Juan Quirós, afirmou que os novos investimentos trazem emprego e renda para a região e o Estado de São Paulo. “A Bionovis vai investir quase R$ 800 milhões. O salário médio dos funcionários será de R$ 10 mil. O projeto conta com o apoio da Investe São Paulo”, comentou. Quirós salientou que a chegada da Bionovis em Valinhos vai promover a criação de uma cadeia de fornecimento de produtos para empresas de biotecnologia. “Nosso papel também será de ajudar na criação da cadeia de fornecedores”, ressaltou.

Ele disse que os biofármacos trazem inovação para o setor de medicina e que os medicamentos vão democratizar o tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS). “O investimento será em uma indústria de ponta na área de inovação no segmento de saúde”, afirmou. Quirós comentou que existe uma demanda de investidores por informações para injetar recursos no Estado de São Paulo. O presidente da Investe informou que articula a implantação de 12 projetos na Região Administrativa de Campinas, que deverão ser anunciados em seis meses. Os investimentos previstos ultrapassam os R$ 2,5 bilhões. A estimativa é da criação de 2.600 empregos diretos.

Biotecnologia

O diretor-presidente da Bionovis, Odnir Finoti, afirmou que hoje o Brasil importa todos os medicamentos biofármacos. “Ainda não há no País nenhuma fábrica que produz biofármacos. Os investimentos na planta de Valinhos serão de mais de R$ 500 milhões e vamos usar mais R$ 200 milhões para o desenvolvimento de produtos. Os recursos serão empregados ao longo dos próximos dez anos”, disse. Ele comentou que a empresa irá gerar pelo menos 150 postos diretos.

Ele projetou que a produção deve começar no final de 2016. “O setor é absolutamente novo no Brasil. A fábrica vai produzir medicamentos biológicos de alta complexidade voltados para o tratamento de doenças autoimunes, diversos tipos de câncer, doenças inflamatórias intestinais e doenças neurodegenerativas”, salientou. Finoti comentou que Valinhos foi escolhida em decorrência da infraestrutura e mão de obra especializada da região.

A Bionovis foi criada em 2012 e é uma joint-venture com investimentos de quatro laboratórios – Aché, EMS, Hypermarcas e União Química. Juntas, as empresas respondem por 33% do mercado farmacêutico brasileiro em volume. “O capital é totalmente nacional. Os quatro grandes laboratórios são os acionistas da empresa. O desafio do desenvolvimento da indústria de biotecnologia no Brasil é grande e contará com quatro grandes empresas do setor de medicamentos”, disse.

Mantas

A Vedacit anunciou nesta semana que irá investir R$ 110 milhões em Itatiba em uma fábrica de mantas asfálticas. A inauguração está prevista para junho de 2015. De acordo com a empresa, a capacidade produtiva será de 6 mil metros quadrados de mantas asfálticas por hora, em duas linhas de produção independentes. Conforme cálculos da Vedacit, o volume é equivalente a cinco estádios Maracanãs e meio por mês. A escolha pela cidade atende a necessidade de uma localização estratégica para a distribuição dos produtos. Segundo a empresa, a fábrica terá 33 mil metros quadrados. O terreno terá 270 mil metros quadrados.

Elemento

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Adriana Leite e Silva