Publicado 24 de Março de 2015 - 16h58

Por Sarah Brito Moretto

Foto: Carlinhos (denúncia Dona Zuleica) e Dominique (restante)

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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No mês considerado estratégico para evitar o aumento de número de casos de dengue e consolidar a epidemia, leitores do Correio Popular continuam na ofensiva contra possíveis criadouros de dengue em pontos por toda a cidade. O Correio visitou ontem oito lugares, entre casas abandonadas, terrenos baldios e lajes que acumulam água e podem ser locais propícios para o mosquito Aedes aegypti, que é o vetor de transmissão. O mosquito bota ovos em água limpa e parada, em sua superfície. Mesmo se a água secar, com um período de calor, por exemplo, o ovo resiste e volta a eclodir quando houver água novamente.

Dos pontos visitados, três são referentes a casas abandonadas e fechadas há anos, que podem ter locais de procriação do mosquito. Em Campinas, a Prefeitura possui uma liminar da Justiça que autoriza a entrada em imóveis fechados para realizar a fiscalização do local. São procurados criadouros em potencial, como piscinas, caixas dágua abertas e calhas. Este ano, nenhuma casa do município foi aberta com base nessa liminar.

Um exemplo é uma casa abandonada desde o início da década de 90, na rua Conceição, no Cambuí. Os vizinhos denunciaram o local por temerem o que está no interior da residência. O telhado tem várias aberturas, e é possível que a água da chuva tenha se infiltrado na casa e acumulado em alguns locais. A casa é alvo constante de queixas no telefone 156 da Prefeitura, mas os vizinhos informaram que nada foi resolvido.

O servidor aposentado e leitor Cláudio Ramalho denunciou um imóvel na Rua Irmã Serafina, próximo ao prédio da antiga Cúria de Campinas. Do alto, é possível ver que a casa acumula entulho e restos de construção. Ele diz que existe muito pernilongo na região e que ele ficou doente no ano passado. “Parece um cenário de pós-guerra, não parece Campinas. Precisamos cuidar disso e evitar que a situação do ano passado se repita”, disse. O local era uma antiga gráfica e está fechado há mais de um ano.

A terceira denúncia é de um imóvel de dois andares que está fechado há três anos, na Avenida José Bonifácio. Os vizinhos e comerciantes do entorno estão preocupados, pois o prédio não tem telhado e a água das chuvas fica espalhada e acumulada pelo chão.

Intertítulo – Terreno baldio

Um terreno murado na Rua Vitoriano dos Anjos é o pesadelo dos moradores da região, pois acumula lixo e o mato está alto. Com a chuva, a água fica parada, relataram os vizinhos, que pediram para não ser identificados. Eles não souberam indicar quem era o proprietário do terreno.

Desde 2013, a Secretaria de Serviços Públicos notificou 2.791 responsáveis para que mantenham suas calçadas em ordem. Além disso, por mês, têm sido notificados, em média, 400 proprietários para que façam a limpeza de seus terrenos.

Intertítulo – Acúmulo de água

Um prédio na Rua Boaventura do Amaral, no Centro, é alvo de denúncias de vizinhos por acumular na laje água de chuva. O problema é comum em locais altos, e causa preocupação por ser de difícil acesso para limpeza. O local também é propício para a criação de mosquitos da dengue.

A Prefeitura informou que que todos os endereços denunciados pelo Correio Popular receberão visita dos técnicos da Vigilância em Saúde que atuam no combate à dengue. Somente para a região Leste são três duplas que atuam diariamente nas ruas. Estes técnicos visitam o imóvel ou terreno ou o reciclador e, a partir do diagnóstico, adotam medidas para solucionar o caso. Em casos extremos, a Justiça é acionada. O trabalho é realizado conforme critério de risco ou seja levando em conta o quanto aquela situação pode apresentar risco para a dengue.

Desde o ano passado, a Vigilância em Saúde visitou 200 mil imóveis em toda a cidade em ações de combate à dengue. Mais de 20 mil caixas d´água foram teladas.

Intertítulo – Carro abandonado

Um carro abandonado em uma praça na Rua Albino Cotegipe (antiga Rua 23), no Vida Nova, é a preocupação dos moradores da área. O veículo, uma Saveiro, está com os vidros e faróis quebrados, o que facilita o acúmulo de água. Além disso, há lixo e garrafas plásticas na carroceria.

A Prefeitura informou que, de imediato, uma equipe da Vigilância em Saúde Sudoeste vai localizar o veículo para inviabilizar possíveis criadouros.

A Prefeitura também vai verificar o que pode ser feito para retirar o veículo do local. Para isto é preciso avaliar se está sendo cometida infração de trânsito cuja medida administrativa seja a remoção. Ou, no caso de serem inservíveis, os veículos recebem classificação de lixo especial e a remoção é feita pelo Departamento de Limpeza Urbana (DLU) da Prefeitura. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) aciona o DLU nesses casos.

Intertítulo – Morador de rua

Uma pilha de material reciclável tem assustado moradores do Recantos dos Dourados, zona rural de Campinas. A pilha é do morador de rua Hamilton Tavares, que disse não haver problema com os pernilongos da dengue. Segundo Tavares, o material reciclável será mandado ainda essa semana para a cooperativa. A Prefeitura informou que vai até o local e orientá-lo para que o local não seja um criadouro de dengue, com proteção de chuva. O caso dele será priorizado e também será oferecido inclusão em programas sociais do município.

Escrito por:

Sarah Brito Moretto