Publicado 23 de Março de 2015 - 21h52

Por Inaê Miranda

FOTOS: Leandro

Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Escritores, catedráticos, artistas e magistrados participaram ontem à noite da abertura do ano acadêmico das academias de letras e entidades culturais do Estado de São Paulo. O evento foi presidido pelo desembargador José Renato Nalini, em solenidade realizada na Academia Campinense de Letras (ACL). Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e ex-presidente da Academia Paulista de Letras, Nalini ministrou uma palestra sobre a contribuição que a sociedade pode oferecer para a Justiça. O diálogo e a autonomia na resolução de pequenos conflitos são o caminho para desafogar o judiciário e para a verdadeira democracia participativa.

Com mais de 100 milhões de processos em curso pelos quase 100 tribunais brasileiros, sendo 25 milhões apenas no Estado de São Paulo, o judiciário não tem conseguido responder oportunamente à demanda, mas vem buscando formas de dar agilidade, com a informatização, por exemplo. A expectativa é que em janeiro de 2016 não entre mais papel no judiciário. Convidado de honra da sessão solene que marcou a abertura do ano acadêmico das entidades culturais no Estado de São Paulo, Renato Nalini, afirmou, entretanto, que o mais importante passo é resgatar o princípio da da subsidiariedade.

“Aquilo que as pessoas puderem acertar por meio de uma composição, de um diálogo, de um acerto de contas entre aqueles que estão se desentendendo, isso é muito porque liberaria a justiça para resolver verdadeiros grandes conflitos”, afirmou Nalini. O conceito de pacificação vem sendo difundido em todas as esferas. “Quando existe uma Academia de Letras com intelectuais, formadores de opinião, nós pensamos que esse público pode ser multiplicador dessa ideia da pacificação. É importante que se diga que não é apenas para livrar o judiciário dessa invencível carga de processo”.

De acordo com o desembargador, é muito mais importante que se desperte na população o protagonismo, ensinando as pessoas a assumirem suas responsabilidades. “Estamos numa era de abundancia de direitos. Todos têm direitos, todos invocam direitos, todos querem fruir direitos, mas poucas são as pessoas que têm noção dos deveres, das obrigações, das responsabilidades. Então nós estamos criando um estado babá, que tem que cuidar de tudo. Se continuamos nessa linha, não vamos conseguir implementar no Brasil a democracia participativa, cada um fazendo sua parte”, acrescentou o presidente do Tribunal de Justiça.

A finalidade do evento, segundo o presidente da Academia Campinense de Letras, Agostinho Tavolaro, foi reunir as Academias de Letras e as instituições culturais em geral do Estado de São Paulo e assim promover a difusão da cultura e incentivar a busca maior pela penetração da literatura e cultura brasileira. “Com isso procuramos trazer a intelectualidade e as pessoas que gostam de cultura. Não necessariamente escritores, mas pessoas que gostam de cultura em todos os seus aspectos. Procuramos reunir todos para que se conhecessem entre si e trocassem conhecimento: ”, afirmou Tavolaro.

Participaram do evento na Academia Campinense de Letras juízes, escritores e intelectuais de Campinas e do Estado de São Paulo. A primeira-dama de Campinas, Sandra Ciocci, representou o prefeito Jonas Donizette (PSB). Luiz Antônio Alves Torrano, diretor da cidade judiciária de Campinas, ressaltou a importância da abertura do ano acadêmico e das atividades desenvolvidas na Academia Campinense de Letras. “As atividades desenvolvidas aqui são um culto às letras nacionais, à nossa literatura e a tudo que se produziu no Brasil em termos de obras literárias. O que é um país sem a sua língua e o que é a língua sem a sua literatura”, afirmou.

Congresso Internacional

Em comemoração ao 60º aniversário da ACL, em maio de 2016, está sendo organizado um congresso internacional sobre língua portuguesa, chamado de Comunidade dos Países da Língua Portuguesa. O evento deve reunir representantes de nove países: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tome e Príncipe, Guiné Bisau e Guiné Equatorial. Serão convidados para participar do evento presidentes e primeiros-ministros dos respectivos países, além de representantes da cultura e das artes. A data e o local ainda não foram definidos, mas a princípio serão dois dias de encontro. “Será um evento muito importante e vai projetar Campinas para que se mantenha como o centro cultural que sempre foi”, afirmou Agostinho Tavolaro.

SAIBA MAIS:

A Academia Campinense de Letras (ACL) foi fundada em 17 de maio de 1956, por Francisco Ribeiro Sampaio. Seguindo os moldes da Academia Brasileira de Letras (ABL), tem como objetivo reunir os literatos da cidade. Tem 40 cadeiras vitalícias. A ACL fica na Rua Marechal Deodoro, 525, Centro. Telefone: 3231-2854.

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Inaê Miranda