Publicado 23 de Março de 2015 - 17h54

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Apesar de o volume de água que tem chegado aos reservatórios do Sistema Cantareira nos primeiros três meses do ano estar 55,8% abaixo da média histórica dos últimos 84 anos, registrada entre 1930 e 2014, a chamada vazão afluente dobrou em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o que faz com que um certo clima de otimismo chegue as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e do Alto Tietê: o risco de racionamento a partir do final de abril, quando começa o período da estiagem, está cada vez menor para a região de Campinas e a Grande São Paulo. Ontem os reservatórios operaram com 17,1% da capacidade, 0,5 ponto percentual acima de domingo.

Pode ser que os reservatórios cheguem ao início da estiagem operando apenas com volume morto, mas a água existente vai permitir o abastecimento como vem ocorrendo até agora. “Todos estamos mais otimistas, porém um otimismo precavido. Temos que lembrar que estamos ainda saindo do subsolo (volume morto). Recuperamos a segunda cota, estamos recuperando a primeira, mas só depois disso poderemos começar a recuperar o volume útil. Mas a situação é muito melhor que em janeiro, que foi um mês muito complicado para nós”, disse o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga em um programa sobre o Dia Mundial da Água na TV Cultura.

O vice-presidente dos Comitês PCJ e diretor técnico da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), Marco Antônio dos Santos, também acredita que se São Paulo mantiver a redução de retirada de água do sistema, de forma que no período de estiagem as Bacias PCJ possam receber uma volume a mais, em torno de 3 a 4 m3/s, será possível passar a estiagem sem grandes problemas.

O volume de água existente abaixo da cota de operação do volume útil, e que precisa ser captada por bombas, estava ontem em 162,8 bilhões de litros – em maio do ano passado, quando começou a operação da primeira cota do volume morto, 182 bilhões de litros foram adicionados à operação, seguidos de mais 105 bilhões de litros da segunda cota que começaram a ser bombeados em outubro. Nesse período, as chuvas repuseram a segunda cota e a primeira está começando a ser recuperada. “Se não chover, ainda assim teremos nos reservatórios um bom volume de água que dará para chegar até outubro, início do período de chuvas, desde que a retirada de água do sistema se mantenha em queda”, disse Santos.

Segundo o coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad, se a vazão afluente se mantiver em 51% da média histórica, será possível chegar a outubro com 150 bilhões de litros, que é praticamente o volume que existe hoje no sistema. O risco é se a seca for mais severa, com 3%$ da média de afluência, como ocorreu no ano passado, os reservatórios chegarão a outubro com 29,4 bilhões de litros e em situação muito delicada. “Há o risco de não termos um Verão chuvoso, como ocorreu em 2014 e então termos uma condição de operação dos reservatórios muito ruim, com possibilidade de racionamento nas duas regiões”, afirmou.

Ontem entraram nos reservatórios 64,22 m3/s e foram retirados 0,45 m3/s para as Bacias PCJ e 10,72 m3/s para a Grande São Paulo.

RETRANCA

Os gestores do Sistema Cantareira já descartaram a possibilidade de os reservatórios chegarem ao início da estiagem, no final de abril, operando com 10% do volume útil. A chance de iniciar o período com volume útil igual a zero é grande, o que significará entrar na estiagem contando apenas com o volume morto das barragens. “Significa que haverá água e que, usada com parcimônia, poderá ajudar a atravessar o período crítico, mas do ponto de vista de recuperação dos reservatórios será um caos”, disse especialista em recursos hídricos, Carlos Henrique Cardoso. “Estamos há quase um ano utilizando o volume morto, com gastos enormes de energia para bombear a água e submetendo as duas regiões – PCJ e Alto Tietê – a uma insegurança hídrica muito grande”, disse.

No primeiro trimestre do ano passado, a vazão afluente média do sistema, ou seja, a água que entrou nos reservatórios, foi de 12,1 m3/s. Já nesse ano, até ontem, a media foi de 27,65 m3/s, ou seja, 128,5% superior ao registrado no ano passado. Mas na comparação com a média histórica dos últimos 84 anos, a vazão afluente do trimestre está 55,8% abaixo.

ELEMENTO

A AGUA QUE ENTROU NOS RESERVATÓRIOS (m3/s)

Ano jan fev mar

1953 (*) 24,5 29,1 26,7

2014 14,32 8,47 13,7

2015 8,5 36,55 37,9

Fonte: Agência Nacional de Águas - (*) pior ano de seca antes da crise atual

ELEMENTO 1

Sistema Cantareira 17,1%

Rio Atibaia 33,8 m3/s

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Maria Teresa Costa