Publicado 23 de Março de 2015 - 16h11

Por Sarah Brito Moretto

Fotos: César

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

As notícias de novos casos de dengue em Campinas acenderam um sinal de alerta aos moradores, que continuam a mandar denúncias de possíveis criadouros de dengue, entre casas fechadas, piscinas descobertas e terrenos baldios que acumulam lixo. O Correio Popular visitou ontem cinco pontos na cidade, indicados por leitores via e-mail, whatsapp (19 99608-6114) ou telefone.

O primeiro foi um antigo prédio abandonado, na rua Proença, no Bairro Jardim Paraíso. O esqueleto está parado desde o início da década de 90, segundo os vizinhos. A água se acumula nos pavimentos abertos e também no primeiro piso, onde há uma espécie de “lago”. O local está fechado e não há banner ou informações sobre aluguel ou venda do imóvel ou terreno. A aposentada Benedita Camargo, de 57 anos, conta que existem muitos pernilongos na casa dela, e por isso teve que telar todas as janelas e portas. “Essa água seca com o calor, mas quando chove, fica totalmente inundado”, disse.

Outro ponto que causa preocupação é a piscina descoberta. O mosquito Aedes aegipty bota os ovos em água parada e limpa, o que encontra nas piscinas. Sem cloro ou manutenção adequada, a piscina pode ser um local propício para o inseto. Na rua Rafael Luporini, no Jardim Chapadão, uma piscina em uma casa fechada há cerca de 2 meses assustava os vizinhos do entorno.

Verde e com um recipiente de cloro, a piscina causava preocupação. “Não sabemos se pode ser algo, né? Falei com o proprietário da residência, e ele disse que está seguro”, afirmou uma vizinha que pediu para não ser identificada. Quando o Correio Popular vistoriava o local, o proprietário da residência apareceu e informou que não havia riscos. Ele forneceu apenas o primeiro nome: Flávio.

Um segundo endereço, na rua Carlos Stevenson, bairro Nova Campinas, também assusta moradores. A piscina na parte do fundo da residência que está para alugar ou vender há cerca de três anos está abandonada. A água está verde e não há indícios de manutenção. Apesar Os vizinhos estão preocupados porque a área ainda não é considerada de transmissão. “Mas, tem muito mosquito. Ano passado era muito mais, mas estamos preocupados. Já liguei nas imobiliárias e Prefeitura, e nada foi feito”, afirmou um vizinho que pediu para não ser identificado.

Na fachada da residência, existem sete placas de imobiliárias, de seis empresas diferentes. O Correio entrou em contato com todas elas, e conseguiu retorno de quatro delas. A Prado Gonçalves – que também administra Premium Imobliária - informou que a piscina passa por manutenção e que o proprietário do imóvel está ciente da situação. O Correio Popular ligou para o proprietário, mas não obteve retorno. A empresa Criar Soluções Imobiliárias e a Bauer Imóveis informaram que iriam averiguar a situação.

A Prefeitura informou que, em relação aos casos relatados pela população, seja através do telefone 156 ou através da imprensa, as ocorrências também são inseridas no cronograma e recebem atenção dos agentes da Vigilância em Saúde. Os endereços citados com denúncias de focos de dengue, todos na região Leste (piscinas e prédio abandonado), serão visitados ainda nesta semana.

Para evitar criadouros em imóveis fechados, a Prefeitura estabeleceu parceria com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) para fiscalização dos 15 mil imóveis para locação ou venda na cidade. Todos os endereços serão visitados com o objetivo de remover potenciais criadouros do mosquito. Desde 2013, a Secretaria de Serviços Públicos notificou 2.791 responsáveis para que mantenham suas calçadas em ordem. Além disso, por mês, têm sido notificados, em média, 400 proprietários para que façam a limpeza de seus terrenos.

Terrenos abandonados e com mato alto também são denúncias frequentes. O leitor Wilson Felipe indicou dois, na Rua Fernão Lopes, Taquaral. Ambos estão com mato alto, com cerca de 2 metros de altura, e preocupam por terem lixo e entulho no local. Garrafas pet, sacos de lixo e outros lixos jogados em um terreno podem acumular água da chuva, e transformar o local em um criadouro de dengue. No caso dos endereços particulares com mato alto, a Secretaria de Serviços públicos informou que irá até o Taquaral ainda esta semana para notificar os proprietários, que devem realizar a limpeza em até 10 dias. Se o prazo não for cumprido, ele receberá uma multa no valor de R$ 698,53, que dobra caso ele não cumpra o segundo prazo de mais 10 dias.

Intertítulo – Caso de vigilância

A mesma situação ocorre em uma casa na Rua Américo Brasiliense, na altura do nº 1000. O local está abandonado há pelo menos sete meses, e os vidros e portas estão quebrados. O local acumula entulho e sujeira. De acordo com uma atendente de uma agência de publicidade, que pediu para não ser identificada, a casa tem servido de morada para moradores de rua, que assustam a vizinhança.

A Prefeitura informou que a Vigilância em Saúde fará uma inspeção sanitária para verificar o risco à saúde pública.

Intertítulo – Tipos de criadouro

A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. É preciso ficar atento a limpeza de calhas, piscinas e caixas dágua, que podem acumular água da chuva. O mosquito se reproduz em água limpa e parada. Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície.

Escrito por:

Sarah Brito Moretto