Publicado 23 de Março de 2015 - 14h15

Por Rogério Verzignasse

Fotos: Janaína fez dia 23. O gerente Vicente aparece na frente do bar. Tem imagens internas (com as réstias e linguiças penduradas)

Tem fotos antigas reproduzidas, com o padre abençoando o bar na inauguração oficial (citado no texto) e dos fundadores trabalhando no balcão. Também tem uma da Conceição antes de ser alargada.

Facca como sempre; elegante como nunca

O Facca Bar nasceu no finalzinho da década de 50. Quatro velhos amigos _ funcionários do Bar Ideal, ali na esquina da Barão de Jaguara com a Conceição _ resolveram pedir as contas e abrir o próprio estabelecimento. Escolheram um imóvel ali pertinho, onde décadas antes tinha funcionado o badalado Restaurante Lo Shiavo. O lancheiro Antônio Facca Filho e o tirador de chope Roberto Geonfrancisco (o Mossoró), se juntaram a dois balconistas, o Antônio Gisolfi (Totta) e Francisco Pinheiro de Souza (Chico). E quarteto levou para o boteco clientes antigos, que tinham encrencado com o dono do Ideal.

Bom, o quarteto colcoou o sobrenome do lancheiro famoso no bar novinho, oficialmente inaugurado com a bênção do padre Francisco de Assis Almeida em meados dos anos 60. O pedaço virou roteiro obrigatório para marmanjos passeando no Centro. Certo, certo. Era um lugar modesto. “Sujinho” mesmo, que despertava paixão em quem curtia uns pileques e não dava bola para luxo. Aquelas coisas: boemia, cerveja, prosa, gargalhadas. Mulher não entrava. Criança também não.

Os campineiros da antiga se divertem falado do ambiente impagável. O lancheiro famoso, lembram, era simplorião, grosseiro, e não pensava duas vezes antes de mandar cliente chato plantar batatas. O bacana era o clima impessoal, despojado, abençoado com muita cerveja e sanduíche de aliche.

Mas a casa fechou as portas em 1984. Houve, sim, marcação cerrada da turma da vigilância sanitária, que não gostava nem um pouco daquela onda de boteco bagunçado. Na época, o lancheiro Facca já partido deste mundo. O Mossoró, no caso, era o administrador do pedaço. Mas a tristeza do fim do bar lhe causou até um infarto, três meses depois. Enfim, a porta baixou e frustrou uma geração de bebedores inveterados. Nos anos seguintes, funcionou por ali um restaurante de self service. Mas em 2006 o Facca renasceu.

Os novos proprietários entraram em acordo com a família dos fundadores e obtiveram o direito de levantar as portas do bar com o velho nome. E o reduto se tornou _ nestes quase dez anos _ uma referência gastronômica do Centro. Chope dos bons, cumbuca de feijoada, lanchinhos sagrados, carnes exóticas.

O gerente, Antônio Vicente dos Santos, tem 43 anos. Ele não é contemporâneo dos fundadores, e só se diverte de ouvir os casos contados por todo mundo da velha guarda, que entra pela porta. O lance é que o homem se apaixonou tanto pelo bar que ele mesmo de dedica a pesquisar a história. Vai atrás de fotos, textos de épocas, depoimentos.

Confessa que usa, no cargo, uma estratégia comercial do quarteto pioneiro: os funcionários formam aquele grupo fechado, unido, que conhece a clientela, e trabalha para que o Facca Bar tenha o nome forte de sempre.

Ah, claro. A estrutura mudou. O bar passou por várias reformas, se adequou às exigências severas da vigilância sanitária. Nada restou do mobiliário original. As prateleiras, azulejos na parede, cadeiras e mesinhas de madeira, salames e réstias de alho pendurados garantem a atmosfera nostálgica. Atmosfera aconchegante, elogiada principalmente na faixa dos 40 anos. Mas é tudo novinho em folha.

A grande sacada dos proprietários, no caso, foi resgatar a cozinha tradicional. O lanche de aliche continua sendo o carro-chefe da casa. Mas, claro, o cardápio hoje é diversificado, e o serviço de primeira. Não é à toa que o Facca já ganhou concursos, ano após ano, que o consideraram a melhor cozinha da cidade.

O velho boteco virou ponto elegante. Os famosos dão o ar da graça por ali. Apresentadores de TV, jogadores de futebol, empresários, políticos de tudo quanto é partido. Como no começo _ lá se vai mais de meio século _ o Facca Bar conquista quem chega.

SAIBA MAIS

Quem tem interesse em saber mais sobre o Facca Bar pode escrever para o endereço eletrônico [email protected] ou ligar para (19) 3232-0970. O restaurante fica na Rua Conceição, 157, Centro de Campinas, a poucos metros do edifício sede do Correio Popular.

Escrito por:

Rogério Verzignasse