Publicado 22 de Março de 2015 - 21h08

Por Delma Medeiros

Velório de Mariluce Lopes, a Malu, que começou na cena artística campineira ainda adolescente ao lado de Carlito Maia

Carlos Sousa Ramos/ AAN

Velório de Mariluce Lopes, a Malu, que começou na cena artística campineira ainda adolescente ao lado de Carlito Maia

Sob aplausos e muita emoção foi enterrada neste domingo (22), no Cemitério da Saudade, em Campinas, a atriz, diretora, professora de técnica vocal e produtora cultural Mariluce Lopes, a Malu, que morreu na tarde de sexta-feira, aos 72 anos, de causa ainda indefinida.

 

Malu começou na cena artística campineira ainda adolescente ao lado de Carlito Maia, na encenação de 'A Paixão de Cristo'. No início dos anos 1970 entrou no Conservatório Carlos Gomes como aluna e depois como professora. Integrou o Teatro do Estudante de Campinas (TEC) e Grupo Rotunda, dirigidos por Teresa Aguiar, foi responsável por formar inúmeros atores e passou por praticamente todos os grupos teatrais da cidade. Ajudou a criar e administrou por anos o Teatro de Arte e Ofício (TAO) e, há pelo menos 25 anos, era assistente do diretor Edgar Rizzo no Grupo Téspis. Maior que seu talento, eram sua generosidade, lealdade e o carinho que dispensava a todos que conviviam com ela.

 

“Ela sempre prezou pela qualidade, como pessoa e como atriz. Era uma mulher de muita garra, generosidade e sensibilidade para agregar pessoas, além de uma atriz talentosa e disciplinada” diz o ator Christian Schlosser. “A Malu era um anjo que ajudava todo mundo, ela não tinha fronteiras para ajudar as pessoas”, reforça o ator e diretor Amadeu Tilli, que, como Malu, foi da primeira turma de teatro do Conservatório Carlos Gomes. Juntos ele encenaram espetáculos infantis como 'Maroquinhas Fru-Fru' e 'Libel, a Sapateirinha', entre muitos outros.

 

“A história do teatro de Campinas passa pela história dessa extraordinária atriz que fez do palco sua vida”, afirma Antonio Gilson Brigagão. “Era uma pessoa e atriz maravilhosa, participou de grandes espetáculos”, comenta Léa Ziggiatti Monteiro, diretora do Conservatório Carlos Gomes. Dos muitos espetáculos dos quais participou, Léa destaca sua atuação em 'Senhora dos Afogados' (1981), dirigida por Abílio Guedes. Outras peças marcantes foram 'Romeu e Julieta', com direção de Teresa Aguiar, 'O Óbvio Ululante', dirigida por Gilson Filho, e 'Carlito Maia – Do Sagrado ao Profano', de Edgar Rizzo, seu último trabalho teatral.

 

Malu pode ser vista também no curta 'Ao Redor da Mesa', de Cauê Nunes e Nabil Jean Chahine, que estreou em fevereiro deste ano. Ela trabalhou até o último momento. Ao ser levada ao hospital pelo irmão, sua preocupação era sair a tempo de participar de uma reunião à noite, relativa à reabertura do Grupo Téspis. Sob a direção de Robson Lóddo, o Téspis reabre as portas dia 27 de março na Rua Augusto César de Andrade, 575, Nova Campinas. 

 

 

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Delma Medeiros