Publicado 26 de Março de 2015 - 10h10

Jorge Loredo, criador do personagem Zé Bonitinho

Montagem

Jorge Loredo, criador do personagem Zé Bonitinho

Foto: Divulgação.

O célebre personagem Zé Bonitinho, do humorista Jorge Loredo

O célebre personagem Zé Bonitinho, do humorista Jorge Loredo

Humorista Jorge Loredo, conhecido nacionalmente por dar vida ao personagem mais 'bonitinho' da TV Brasileira, faleceu na manhã desta quinta-feira (26), por volta das 6 horas.

 

Inesquecível por seu visual irreverente, com um óculos maior que seu rosto e um famoso pente retirado do bolso do paletó, separamos algumas frases para relembrar aquele que soube como ninguém dar algum sentido à vaidade. 

Leia também 

- Morre o humorista Jorge Loredo, o Zé Bonitinho, aos 89 anos

Zé Bonitinho será lembrado com carinho, não apenas nesta geração. Mas na história da comédia brasileira. 

1. Sobre o assédio

Uma vez uma mulher me procurou no camarim e me convidou para ir à casa dela passar a noite com ela. Eu fiquei meio em dúvida, mas fui levando. Já estava disposto a ir, tirei a roupa toda do personagem, e ela disse “Não. Eu quero você, mas vestido de Zé Bonitinho”. Claro que eu não fui.

2. Do drama ao riso 

Quando eu fui fazer o Zé Bonitinho pela primeira vez, eu estava achando que estava fazendo um grande papel dramático, uma grande performance. Aqueles risos estavam me incomodando. Quando saí de cena, o Chico Anysio me viu e perguntou o que havia acontecido. Eu disse que todo mundo estava rindo. Ele me falou que era claro que tinham que rir. Eu não tinha entendido. Depois fui me adaptando e vi que o tipo era engraçado.

3. Influência

Quando eu comecei a fazer o Zé Bonitinho, eu fumava em cena. Uma senhora me encontrou na rua e pediu para eu parar de fumar porque o neto dela gostava muito de mim e estava comprando cigarrinho de chocolate para imitar. Eu disse para ela ficar tranquila que eu nunca mais ia fumar em cena. E nunca mais fumei. Que bonitinho, não é gente?! 

4. Improviso

Eu entrava ao vivo, e tinha duas câmeras: uma de frente pra mim, claro, e outra de lado. O assistente de estúdio ficava embaixo da primeira para me lembrar de alguma coisa, caso esquecesse. Só que um dia, ele disse que a câmera tinha pifado, pra eu virar para a outra. Na mesma hora, virei e falei: “Câmera, close!”. Mas precisava mudar o microfone de lugar pra me acompanhar. Aí, pedi: “Microfone, please!”. E o Russo, aquele que trabalhou com o Chacrinha e tantos artistas, jogou em cima de mim.

 

5. Sobre a morte

Agora, comecei a ficar mais preocupado com isso. Minha mãe, que morreu aos 101 anos, era muito espiritualizada. Um dia, já trabalhando na TV, disse a ela que ia largar a vida artística. Ela falou que eu não podia fazer isso. ‘Você se lembra quando sentia muitas dores na perna e eu imitava o Oscarito pra você rir? Você tem que continuar ajudando os outros, fazendo-os rir’, rebateu, ela. Quando fico meio pensativo, volto à minha primeira infância, recordações da bisavó Reginalda, que foi camareira da Princesa Isabel, e morreu com 105 anos.

6. Pós-Zé

Nunca pensei num sucessor para o Zé Bonitinho. Os meus fãs de antigamente estão me apresentando aos netinhos que são meus fãs agora. Eu acho que eu já peguei a terceira geração. E se o Grande Mestre lá em cima permitir, é capaz de eu pegar a quarta.

7. Zé Bonitinho em Cena

Nos despedimos com uma cena de 'A Praça é Nossa'. Vá em paz, Zé Bonitinho