Publicado 26 de Março de 2015 - 12h31

Por Suzamara Santos

Líquido e Certo

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Líquido e Certo

Será que existe algum amante de vinho que não esteja um pouco mais feliz desde sexta-feira? Precisamente às 19h45, o outono entrou no nosso hemisfério anunciando que é o momento de abrir aqueles tintos encorpados que estão quietinhos na adega, ganhando estrutura, elegância e complexidade.

Sim, sim... Um vinho desses cabe em qualquer época do ano. Mas ele merece o outono, período intermediário entre o calor e o frio extremos, em que a natureza adquire coloração nova, do âmbar ao vermelho; o sol se despede mais cedo; a noite convida a programas reservados e a mesa é ocupada com comidas fumegantes de sabores e aromas intensos.

 

Foto: Divulgação

Adoro os brancos, mas andava com saudades daquela pegadinha de tanino na boca. É o que mais me encanta nos tintos. Domar esse poderoso polifenol é uma arte que requer conhecimento e técnica. Se mal explorado, gera um vinho pesado que amarra a boca. Por outro lado, se neutralizá-lo totalmente, sacrifica-se a nobreza da uva, comprometendo a capacidade de envelhecer da bebida.

Cabe aqui um pouco de liturgia. É tempo de desarrolhar o vinho horas antes de tomá-lo e, assim, deixá-lo respirar e se mostrar após o período de guarda. Também saem do armário os decantadores, aquelas jarras bojudas para as quais o vinho é transferido com o intuito de separar eventuais sedimentos acomodados no fundo da garrafa e também auxiliar o arejamento, importante para que ele evolua e revele sua personalidade. Ah! Quem resiste a tanto charme? Assim, como eu sei que você também ama tudo isso, só falta erguer brindes com Brunello di Montalcino, Malbec, Barolo, Tannat, Cabernet Sauvignon, Sangiovese, Mouvédre, Carménère... Saúde!

 

Coquetel de tanino

Tanino é uma substância de autodefesa da planta que se concentra nas cascas e nas sementes das uvas. Você já deve ter ouvido falar que a vinha é uma espécie masoquista – quanto mais sofre, mais qualidade ganha – porque em “sofrimento” ela produz mais tanino. Como a elaboração do tinto requer contato do mosto com a casca (é o que dá cor), temos aqui uma grande fonte desse componente, que é extremamente benéfico para a saúde!

Escrito por:

Suzamara Santos