Publicado 26 de Março de 2015 - 14h22

Por Rogério Verzignasse

Baú de Histórias

Ricardo Leite/Reprodução Carlos S0ousa Ramos/AAN

Baú de Histórias

Mocinho, lá em Tupã, Luiz Carlos de Carvalho trabalhou como ajudante em uma marcenaria. Pegou gosto em fabricar móveis. Era um apaixonado por molduras, gravuras, mobiliário de época. No final dos anos 60, aos 23 anos de idade, mudou-se para Campinas para estudar artes visuais. E daqui nunca mais saiu. Tornou-se professor universitário quando beirava os 30 anos. Lecionou por duas décadas e meia na faculdade onde se formou, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). E só saiu de lá quando se aposentou.

 

Foto: Ricardo Leite/Reprodução Carlos S0ousa Ramos/AAN

Luiz em sua loja, na Marcondes com a Boaventura do Amaral

Luiz em sua loja, na Marcondes com a Boaventura do Amaral

Enganou-se redondamente, no entanto, quem pensou que Luiz voltaria para a Alta Paulista e passaria a idade madura pescando ou descansando na rede. O cidadão se especializou em patrimônio histórico, arqueologia e memória. Participou de oficinas e cursos para desenvolver projetos culturais. E resolveu abrir sua própria empresa para produção e recuperação do que mais gostava: os vitrais.

Hoje, quem passa pelo charmoso paravento na entrada da Catedral Metropolitana nem imagina que aqueles vitrais belíssimos foram restaurados por Luiz. O homem, que tem quase 70 anos, passou uma década executando as intervenções delicadas. E não acabou. Pecinha por pecinha é trabalhada à medida em que a igreja consegue recursos para o gigantesco projeto de restauro do templo.

 

Foto: Ricardo Leite/Reprodução Carlos S0ousa Ramos/AAN

Luiz em plena atividade na Catedral

Luiz em plena atividade na Catedral

Fora dali, Luiz também recuperou os vitrais de outros dois templos católicos importantes, a Igreja de Nossa Senhora das Dores (na Maria Monteiro) e a Nosso Senhor do Bonfim (na Governador Pedro de Toledo). As intervenções foram feitas há uma década.

A empresa fundada por Luiz, a Molduras Campinas, nasceu em 1989. Ele lembra que assumiu um negócio iniciado 15 anos antes, na esquina das ruas General Salgado e Padre Vieira. No começo da década passada, ele se mudou para uma quadra adiante, na esquina da Marcondes com a Boaventura do Amaral. E transformou o imóvel antigo em ateliê, oficina, escritório. A esposa Sueli se encarrega de receber, na porta de vidro, a clientela que adora espelhos e molduras. O maridão veste o macacão e diverte-se com seu talento artesanal, pelos templos.

A paixão pelo patrimônio arquitetônico, aliás, é muito antiga. O homem, quando era um jovem universitário, morou em uma república na Rua Aquidabã. Ele fala que a casinha de época, erguida em estilo colonial, foi ao chão quando a Prefeitura construiu a via expressa que transformou radicalmente a paisagem urbana do Centro. “A casa ficava exatamente onde hoje existe uma ponte sobre a via expressa”, fala. Na certa, a nostalgia o fez se estabelecer por aquelas quadras, onde moram memórias da Campinas do passado.

 

Foto: Ricardo Leite/Reprodução Carlos S0ousa Ramos/AAN

Uma das obras do restaurador

Uma das obras do restaurador

Pelo mesmo motivo, Luiz optou por ganhar a vida restaurando prédios históricos. Ele já foi contratado por importantes escritórios de arquitetura de fora de Campinas e restaurou obras de arte e afrescos em igrejas e capelas por todo o Estado de São Paulo. Também fez parte do restauro de espaços públicos importantíssimos como o Tribunal de Justiça de São Paulo e o próprio Palácio da Alvorada, em Brasília (DF).

Luiz conta, em detalhes, como é feito o trabalho paciente de restauro de vitrais. O trabalho começa na prancheta, com o desenho reduzido da figura. Em seguida, o projeto é reproduzido em tamanho real e orienta a produção dos moldes de cada peça. Em seguida, cada peça é feita em vidro importado de tipos e espessuras variadas e, após pintada, queima a 600ºC no forno. “É um trabalho paciente, planejado e debatido a cada passo. E o resultado deixa a gente orgulhoso”, diz. 

 

 

SAIBA MAIS

As pessoas interessas em conhecer o restaurador podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (19) 3367-6245. Quem quiser conferir imagens do trabalho desenvolvido pode acessar o www.moldurascampinas.com.br.

Escrito por:

Rogério Verzignasse