Publicado 25 de Março de 2015 - 16h15

Comer & Beber

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Comer & Beber

Há quase dois anos, Tatiana Bassi zela, junto da irmã Fabiana e da mãe, Rosa Maria, por um legado imenso: a churrascaria paulistana Templo da Carne, negócio que começou a ser delineado há 35 anos pelo pai, o saudoso empresário Marcos Bassi – aos 64 anos, o enérgico “churrasqueiro dos churrasqueiros” perdeu a batalha contra um câncer. “Nada mudou com relação à administração desde então. Temos uma equipe bastante competente, de muitos anos. A única diferença é que minha mãe assina os cheques e não mais meu pai. O churrasqueiro Joélio Salles continua e com ele tentamos formar profissionais da grelha com a mesma eficiência”, define, de forma pragmática, Tatiana, responsável pelo marketing da marca.

 

Foto: Divulgação

Foi Bassi, até hoje considerado o mestre da carne no País, quem criou cortes como a alcatra (em 1967, precisamente), o bombom de alcatra (nos anos 80) e o teak de açougueiro. Também foi esse artesão autodidata um dos primeiros a apostarem no processo de maturação e de embalagem de cortes a vácuo. Vale estudar mais a fundo a lida desse descendente de italianos (família Guardabassi), que começou a trabalhar aos oito anos, vendendo miúdos nas ruas do Brás. E que fez com que o negócio se desdobrasse em açougue no Mercadão paulistano, passasse a casa de carnes, central frigorífica (vendida) e, finalmente, churrascaria, em funcionamento na mesma Rua 13 de Maio.

Daí concluir-se que o modelo de negócios, focado na experiência de consumo desde 1962, incontestavelmente, deu certo – e apesar de todos os pesares do setor. E pergunta possível de alguém do universo gastronômico seria: há interesse em tornar a marca franquia? “Isso não está nos nossos planos no momento”, decreta Tatiana. Planos, planos, eis o ponto. Bassi era tão criterioso e visionário que já havia delineado todas as ações da casa até 2016, inclusive festivais e relacionamento com a mídia. “O planejamento está sendo cumprido e temos trabalhado muito, pois o País não está num bom momento e não podemos descuidar”, observa.

Em maio, a churrascaria promove o tradicional Festival da Costela do Contrafilé, aguardado pelos habitués. “O diferencial é que a costela, que serve até cinco pessoas, é oferecida primeiramente fatiada no ponto desejado e depois volta à mesa grelhada em bistecas, o que resulta na degustação de texturas e sabores diferentes do mesmo corte”, explica. No segundo semestre, uma casa de grelhados com roupagem moderna será inaugurada na região da nova Faria Lima.

Qualidade, moeda forte

É claro que muita coisa mudou no mercado da carne ao longo dos anos, sobretudo nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e certificação de matéria-prima que, na filosofia dos Bassi, será sempre de primeira desde que a qualidade seja obstinadamente buscada e esteja acessível ao consumidor final. “Temos bons pecuaristas, alimentação e criação diferenciadas de gado e frigoríficos investindo em tecnologia. Supermercados e açougues trabalham com carnes de qualidade e preço mais acessível. E nós estamos em contato direto com fornecedores. Exigimos qualidade e eles se aperfeiçoam cada dia mais visando o mercado como um todo”, sintetiza Tatiana.

 

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Bassi, pai e ídolo

Tatiana é formada em administração de empresas com ênfase em marketing pela Universidade da Califórnia (Ucla). Garante que o conhecimento fundamentou conceitos, mas foi a expertise que delineou os passos. “Cada país tem seu mercado, seu povo, seus costumes, sua economia, suas preferências e sua forma de pensar. Só vivendo e convivendo com todo o universo do negócio você entende as necessidades e a hora certa para renovar”, aposta. E conjectura, então, que o maior diferencial da empreitada é o serviço impecável, que só tenderá a contribuir à projeção e à perpetuação da marca. “O boca a boca continua sendo o melhor marketing. Matéria-prima de qualidade é obrigação”, argumenta. A essência do negócio não se alterou, apesar do ar mais moderno, conectado ao mercado e às tendências.

Ela lembra que, na infância, conviveu pouco com o homem de negócios que deixou discípulos. À época, o pai era sócio de um mercado, responsável por abrir e fechar a loja. “Mas, na adolescência, tive a presença dele o tempo todo, sempre me incentivando e mostrando com exemplos como eu deveria traçar minhas escolhas. Costumo dizer que tenho duas pessoas como inspiração: Sílvio Santos e meu pai, que é meu ídolo. Quando fiz 15 anos, ele me chamou e disse: ‘você pode fazer ou dizer o que quiser, mas nunca minta para você mesma’”, partilha.

 

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Vertente biker

A empresária conta que é apaixonada pelo ciclismo, a ponto de dedicar-se à atividade diariamente. Percorre longas distâncias e, com o marido, Claudio Cappellano, cuida da Route Bike, empresa especializada em propiciar a outros ciclistas treinos de longa distância, em grupos, pelas estradas. É o companheiro quem toca o negócio, que já ganhou vertente turística: a Route Tour. “Iremos para o Chile no feriado da Páscoa. Vamos subir o Vale Nevado com um grupo de 20 ciclistas. Também trazemos ciclistas de todo o mundo que se interessam em pedalar no Brasil. Quando estão por aqui, apresentamos o restaurante. O que impressiona os estrangeiros, além da carne, é nosso palmito pupunha, que fazemos assado na brasa.”