Publicado 25 de Março de 2015 - 14h30

Por Thaís Jorge

Saúde

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O diagnóstico surge, invariavelmente, acompanhado por uma fase de estresse emocional que atinge o paciente, a família e os amigos. Além dos incômodos físicos que aparecem durante o tratamento de câncer, o psicológico também se torna mais sensível, já que o momento engloba aspectos psíquicos, sociais e espirituais. Como ferramenta de auxílio nessa fase e tentativa de melhora na qualidade de vida do paciente durante o período, alguns aliados naturais têm utilização cada vez mais recomendada por quem já os testou: são as terapias complementares, como aromaterapia e reiki, que podem ser integradas durante o tratamento convencional da doença.

De acordo com a aromaterapeuta da Aromaluz, Carla Véscovi, a terapia dos aromas visa o cuidado holístico do paciente, promovendo relaxamento e melhorando a capacidade de lidar com a enfermidade. “Os óleos essenciais atuam como coadjuvantes no tratamento clínico de indivíduos com câncer. E ajudam muito. Vários sintomas perturbadores que afetam a qualidade de vida podem ser minimizados com o uso deles. Alguns auxiliam na autoestima, uns proporcionando alegria e outros amenizando as dores físicas”, explica. “O grande segredo é que nas terapias complementares você enxerga a pessoa, não a doença”, diz Carla.

Os benefícios dos óleos já foram comprovados por diversas pessoas. Entre elas a doula Kátia Marrache Waltemath, que descobriu a leucemia do filho quando ele tinha sete anos. “Eu estava fazendo um curso com a Carla quando descobri. Foram dois anos de tratamento convencional, que está entrando na fase final. E junto à quimioterapia, utilizei os óleos. Posso dizer com toda a certeza que a aromaterapia ajudou em todos os sentidos no processo”, conta.

De acordo com ela, o filho apresentou bons resultados durante o tratamento convencional, enquanto ela complementava os cuidados com a terapia integrativa. “Os óleos essenciais ajudaram muito nas reabilitações da quimioterapia. Muitos pacientes precisam de transfusão de sangue, mas ele não precisou. As dores eram menores também” relata.

 

Foto: Giancarlo Giannelli/Especial para AAN

Carla Véscovi, aromaterapeuta, mostra o difusor pessoal: "O grande segredo é que nas terapias complementares você enxerga a pessoa, não a doença"

Carla Véscovi, aromaterapeuta, mostra o difusor pessoal: "O grande segredo é que nas terapias complementares você enxerga a pessoa, não a doença"

 Buscando equilíbrio

 

Entre os benefícios no tratamento do filho, Kátia menciona a diminuição das náuseas por meio da utilização de óleos de hortelã, de gengibre e de cítricos, que auxiliam no equilíbrio emocional e tiram o foco da doença. “Utilizo muito os óleos de limão e de tangerina. Além de alegrar, o de limão descongestiona o fígado. É importante dizer que os óleos sempre dependem da pessoa. O que é indicado para alguém, às vezes, não é o ideal para outra pessoa. E eles são receitados por um profissional; é importante saber disso”, pontua.

Durante a avaliação do paciente são levados em conta aspectos da saúde de maneira integral – do físico ao emocional. A aplicação dos óleos pode ser feita por meio de cremes, umidificadores de ar, difusores individuais e por via oral. Na opinião de Kátia, alguns hospitais são extremamente abertos à prática, mas há equipes médicas que apresentam resistência às terapias complementares. “Já utilizei as essências em partos e pós-parto. São incríveis para agilizar o trabalho de parto, por exemplo. A mulher fica com seu campo energético aberto e acessível, o que permite um efeito melhor”, exemplifica. 

 

Óleos essenciais

 

Foto: Giancarlo Giannelli/Especial para AAN

Kátia Marrache Waltemath, doula: óleos essencias como terapia auxiliar no tratamento da leucemia do filho

Kátia Marrache Waltemath, doula: óleos essencias como terapia auxiliar no tratamento da leucemia do filho

Segundo Carla, o óleo é um extrato fitoterápico bem concentrado. Uma gota de extrato de hortelã, por exemplo, equivale a 25 xícaras do produto”, exemplifica. Ela ainda conta que a maioria é produzida por destilação a vapor, com exceção dos óleos cítricos, dos quais o Brasil é um dos maiores exportadores no mundo. “Esses, também conhecidos como óleos da alegria, são produzidos por prensagem a frio”, informa.

Ela conta que os óleos cítricos possuem uma substância chamada d-limonemo e são utilizados em inalação, proporcionando sensação de alegria, tirando o foco da doença e ajudando no restabelecimento do sistema imunológico. Para trazer qualidade de vida durante uma fase de estresse emocional, o thymus vulgaris, óleo essencial do tomilho, é outro bastante indicado, pois colabora na restabelecimento da coragem.

 

Ajuda fundamental

 

De acordo com a aromaterapeuta Rhiannon Harris, que possui mais de 20 anos de experiência no assunto e veio da França para o Brasil pela segunda vez para difundir conhecimento sobre a prática da aromaterapia, esse tipo de tratamento complementar não tem como meta curar, mas trazer relaxamento e conforto emocional aos pacientes.

 

Foto: Divulgação

A francesa Rhiannon Harris: “A meta não é curar a doença, é dar suporte e melhor qualidade de vida para a pessoa por meio dos aromas”

A francesa Rhiannon Harris: “A meta não é curar a doença, é dar suporte e melhor qualidade de vida para a pessoa por meio dos aromas”

“Os óleos essenciais têm potencial para ajudar as pessoas no nível físico e emocional, e até mesmo em infecções. O processo é focado no paciente, não no câncer. A meta não é curar a doença, é dar suporte e melhor qualidade de vida para a pessoa por meio dos aromas”, explica.

 

Benefícios dos óleos essenciais durante o tratamento

Físicos

Melhora de náuseas, dores de cabeça e musculares, e do controle de infecções; auxilia na prevenção de queloides, edemas, coceiras na pele, anorexia e perda de peso; promove alívio respiratório; evita mau odor.

Psicológicos

Redução do estresse e da ansiedade; melhora no humor; foco em outras coisas e não na doença; atendimento das necessidades individuais, melhora na qualidade de vida.

 

 

Foco no paciente

 

Além de iniciativas individuais, hospitais e institutos especializados no tratamento do câncer têm incluído as terapias complementares na rotina dos pacientes, com resultados bastante positivos. De acordo com a fisioterapeuta do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC), Juliana Bruno, mesmo não substituindo o tratamento convencional, esse tipo de abordagem terapêutica ajuda muito no processo. “Aqui, trabalhamos com esse tratamento alternativo e complementar. A acupuntura, por exemplo, ajuda muito com relação às náuseas dos pacientes”, diz.

 

Ela informa que, no instituto são oferecidas terapias com pedras quentes – uma massagem potencializada que relaxa e contribui para a melhora da circulação – e musicoterapia. “Sempre associo a terapia complementar com a convencional. Desde que entrei aqui, eles já tinham essa metodologia. Temos a argila, também, que é usada no processo cicatricial, principalmente na pele de pacientes pós-radioterapia, associada a chás com ervas. Ela ajuda a reconstruir as células dos tecidos”, argumenta. “A maioria dos pacientes apresenta uma melhora muito grande com esses tratamentos. A complementar ajuda na convencional porque a pessoa fica mais relaxada para o tratamento padrão. É excelente”, pontua a especialista.

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Thaís Jorge