Publicado 27 de Março de 2015 - 5h30

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País subiu em fevereiro para 5,9%, o maior patamar para o mês desde 2011, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A migração de pessoas para a inatividade perdeu força, contribuindo menos para conter o desemprego. O mês foi marcado por demissões de trabalhadores e aumento na fila de espera por uma vaga. Em relação a fevereiro do ano passado, 201 mil pessoas perderam seus postos de trabalho. A população desocupada saltou 14,1%.“Ao contrário de algumas previsões, o desemprego não subiu porque as pessoas estão voltando ao mercado de trabalho, mas sim porque empregos estão sendo destruídos”, notou José Márcio Camargo, economista-chefe da gestora Opus investimentos e professor da PUC-Rio.Apenas a indústria eliminou 259 mil vagas em um ano, enquanto a construção demitiu 105 mil funcionários. Até o setor de serviços mostra fraqueza. Na passagem de janeiro para fevereiro, a atividade conhecida como “outros serviços” dispensou 165 mil pessoas, com forte contribuição dos ramos de alojamento e alimentação, transporte e estética. O segmento de serviços pessoais - que inclui manicure, esteticista e cabeleireiro, por exemplo - dispensou 70 mil empregados em fevereiro. O setor de alojamento e alimentação demitiu outras 34 mil pessoas, enquanto o transporte terrestre fechou 30 mil vagas. “Alojamento e alimentação é até um setor que não dispensaria tanto nessa época do ano, porque tem Carnaval e férias. Então é um movimento que não teria tanto uma influência da sazonalidade”, reconheceu Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.Já no caso dos serviços pessoais, a pesquisadora reconheceu que há forte ligação do setor com a renda do trabalhador. O rendimento médio real dos ocupados caiu 1,4% em fevereiro ante janeiro. “É um tipo de atividade onde há um aumento de população ocupada em função de renda”, lembrou ela.A taxa média de desemprego no primeiro bimestre aumentou de 4,9% em 2014 para 5,6% em 2015. “Não apenas a PME, mas também a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua) e o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho) apontam um cenário de deterioração do mercado de trabalho neste início de ano”, ressaltou Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria Integrada.A expectativa de Mariana Hauer, do Banco ABC Brasil, é que a pressão inflacionária, a economia sem fôlego e a confiança de consumidores e empresários em baixa sigam prejudicando o mercado de trabalho nos próximos meses.“As influências das medidas de ajuste fiscal já começaram a aparecer, mas tendem a ficar mais evidentes mais para frente, assim que todas elas forem de fato implementadas”, afirmou Mariana, prevendo que a taxa de desemprego possa se aproximar de 7% ao final do ano.Na avaliação do superintendente de Economia e Inteligência de Negócio da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ), João Gomes, a tendência para o restante do ano é a mesma da apurada neste princípio de 2015, de deterioração, seguida por uma estabilidade apenas no ano que vem. “Frutificados os ajustes econômicos ora em curso e maturação, a previsão é de acomodação do aumento da desocupação na virada deste ano para 2016”, afirma a entidade. (Da Agência Estado)

Busca crescente por vagas mais cortes explicam a alta