Publicado 27 de Março de 2015 - 5h30

Mais uma montadora do ABC paulista, a Ford, abriu um programa de demissão voluntária (PDV) para reduzir o quadro de trabalhadores. A empresa também negociou com os funcionários a substituição do aumento real dos salários por abonos para este ano e o próximo. A mesma proposta foi apresentada aos empregados da unidade de motores em Taubaté. A Ford não divulgou a meta para o PDV, mas, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, alega ter entre 400 e 600 trabalhadores excedentes na fábrica de São Bernardo do Campo, de um total de 4 mil que atuam nas unidades de automóveis e de caminhões. Um grupo de 420 funcionários está em banco de horas (dispensa a ser compensada futuramente) por tempo indeterminado desde 23 de fevereiro. Ontem, a empresa também informou que vai desligar 80 aposentados. Em Taubaté, 137 operários estão em lay-off (contratos suspensos) há oito meses. Eles deveriam voltar ao trabalho na próxima semana, mas o Sindicato dos Metalúrgicos local teme pela dispensa desse grupo. A filial empresa 2,5 mil pessoas. Pela proposta aprovada ontem pelos trabalhadores do ABC, ficou definido para este ano um abono de R$ 8 mil (no lugar de reajuste pela inflação e aumento real). Em 2016 haverá reajuste pelo INPC e abono de R$ 1,7 mil. O abono não é incorporado ao salário. Em troca, a Ford propôs a estabilidade para quem permanecer na fábrica. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, disse em nota que “a proposta nos ajuda a atravessar este ano e o próximo, em que o mercado se encontra instável, com garantias aos trabalhadores”. Volkswagen e Mercedes-Benz, ambas de São Bernardo, também negociaram acordos em que substituem aumentos reais de salários por abonos. Para quem aderir ao PDV, a Ford oferece 83% do salário por ano trabalhado. Para quem tem restrição médica, o porcentual sobe para 140%.

A Mercedes, que produz caminhões e ônibus, abriu novo PDV na semana passada e alega ter 1.950 excedentes em São Bernardo (de um total de 11 mil). (AE)