Publicado 27 de Março de 2015 - 5h30

O governo federal elevou ontem a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que baliza os empréstimos feitos pelo BNDES, de 5,5% para 6% ao ano. A principal razão por trás desse movimento é o ajuste fiscal. São crescentes os gastos do governo com a manutenção desse subsídio dado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento, Econômico e Social (BNDES) em seus empréstimos. Estudo interno do governo Dilma Rousseff prevê que o governo deve gastar mais de R$ 30 bilhões neste ano apenas para sustentar a TJLP em patamar inferior à inflação.No ano passado, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, então economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou estudo que apontava em R$ 25 bilhões as despesas do governo para sustentar a TJLP no patamar que vigorou ao longo de 2014, isto é, de 5% ao ano.Quanto maior a diferença entre a taxa básica de juros, a Selic, e a TJLP, mais elevados são os gastos do governo federal com a manutenção dos juros subsidiados praticados pelo BNDES. Essa conta, chamada de equalização de juros, deve continuar crescendo neste ano, apesar da alta da taxa. Isso porque a Selic, administrada pelo Banco Central, tem subido em ritmo muito mais alto.Enquanto a TJLP chegou a 6%, a Selic está hoje em 12,75% ao ano. A diferença entre as duas está agora em 6,75 pontos porcentuais. O mercado financeiro aposta que a Selic continuará subindo.Ajuste agrícola

Em busca de redução de gastos, o governo também anunciou ontem a elevação dos juros do programa do BNDES chamado de Moderfrota, que financia a compra de máquinas agrícolas. A quatro meses do fim do programa, o governo elevou de 4,5% para 7,5% ao ano as taxas para empresas de menor porte e de 6% para 9% para empresas grandes. Na prática, a decisão deve fazer com que o saldo restante do programa, de R$ 1,8 bilhão, não saia dos cofres públicos, engordando a meta fiscal.O governo oficialmente nega que a decisão sobre o Moderfrota inviabilize o programa, mas admite que por trás do aumento das taxas de juros do programa e da TJLP está o ajuste fiscal. O secretário-adjunto de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, João Rabelo, afirmou que “são ajustes necessários”.“Essas linhas geram equalização, subvencionadas pelo governo, e impacto no resultado primário. Há necessidade forte, estamos num ano de transição, de fazer um ajuste fiscal para que a gente possa continuar sendo um País bem percebido por todos os nossos credores”, disse ele. (Da Agência Estado)