Publicado 01 de Março de 2015 - 5h30

A gasolina subiu. A passagem do transporte público está mais cara. Alta na tarifa de energia elétrica. A falta de chuvas afeta o abastecimento de água e o preço dos alimentos. Essas notícias estão em todos os meios de comunicação nos últimos dias.

A crise de energia é uma das razões para os economistas preverem queda do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação a 7% este ano. As previsões também dão conta de que o racionamento da água também impactará o PIB.

O cenário negativo, adicionado às contas e impostos tradicionais do início do ano, enfraquece o comércio e mostra uma queda no consumo. A Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC) divulgou que o mês de janeiro de 2015 foi o pior dos últimos seis anos para o setor, com as vendas encolhendo 2,75% em relação ao ano de 2014. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 1,24% ao mês, o maior avanço em 12 anos.

Tudo virou uma bola de neve. Diante de uma inflação tão pressionada, economistas reforçam a tendência num estouro do teto da meta de tolerância e cogitam nova alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros em março.

A expectativa é que a inflação não dará trégua ao longo do ano e o Banco Central continuará o ciclo de aperto monetário. Uma nova elevação na taxa básica de juros não corrigirá o problema, pelo contrário, intensificará o mergulho da economia numa recessão. O custo de vida vai aumentar e a previsão é que o real continue se desvalorizando em relação ao dólar.

Em nota oficial divulgada em 21 de janeiro de 2015, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), avalia que os efeitos diretos da elevação da taxa de juros são o aumento dos custos dos financiamentos, a dificuldade de acesso ao crédito, a consequente redução do consumo das famílias e desestimula os investimentos das empresas.

A taxa básica de juros serve como referencial para o crédito e as dificuldades de acesso ao crédito reforçam as desigualdades e estimulam um círculo vicioso que se reproduz continuamente, tornando mais difícil a recuperação da economia.

Nas operações de crédito, sejam financiamento imobiliário ou empréstimo pessoal, terá uma alíquota maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que subiu de 1,5% para 3%.

A medida reflete diretamente no Custo Efetivo Total (CET) de todos os empréstimos e financiamentos. A recomendação é para observar com mais atenção o cálculo do CET ao contrair crédito e não apenas os juros cobrados na operação. Tomar dinheiro emprestado e fazer compras a prazo vai pesar ainda mais no bolso dos brasileiros.