Publicado 01 de Março de 2015 - 5h30

Com uma população de pouco mais de 12 mil habitantes, a pequena Morungaba é um oásis dentro do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Caçula da região, o município é o único com índice de desemprego negativo, ou seja, tem mais oferta de trabalho do que mão de obra. Por isso, importa trabalhadores de cidades vizinhas. É o que aponta levantamento realizado pela Associação Industrial e Comercial de Campinas (Acic) baseado em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo a entidade, em dezembro do ano passado a População Economicamente Ativa (PEA) de Morungaba era composta por 9.689 pessoas, enquanto a mão de obra ocupada era de 11.127 trabalhadores. Portanto, 1.438 pessoas empregadas nas empresas do município vem de fora.

Morungaba tem um parque industrial diversificado e que não se restringe a um único segmento da economia. No entanto, a maioria dos empregos do setor industrial está concentrado nas três principais empresas do município, que juntas possuem cerca de dois mil funcionários: a fabricante de fios de estamparia Alpina Têxtil, a fábrica de lingerie Valisere e a empresa de embalagens plásticas Greco & Guerreiro. Juntas, as três empresas empregam milhares de trabalhadores na cidade.

“Tem mais gente contratada formalmente em Morungaba do que a PEA. A avaliação que fizemos é que Morungaba está importando mão de obra de fora, de cidades vizinhas. Estaria mais para o pleno emprego”, analisa o economista da Acic, Laerte Martins.

Em contrapartida, outras cidades da região apresentaram índice de desemprego alarmantes e com taxa de desempregados acima de 10% da PEA. O maior índice de desemprego foi registrado em Engenheiro Coelho (13,93%), seguido por Paulínia (13,49%), Artur Nogueira (12,40%) e Holambra (11,31%).

“Essas cidades menors sofreram grande impacto. Em Artur Nogueira, por exemplo, saíram boas empresas que estavam lá, entre elas uma malharia, e dá uma diferença grande. Já em Engenheiro Coelho o desemprego é alto, mas está baixando, mesmo de forma lenta”, explica.

Na média da região, a taxa de desemprego também está avançando. Em dezembro do ano passado o índice de desempregados foi de 6,62%, o que corresponde a 111,5 mil pessoas sem emprego. No mesmo mês de 2013 a taxa era de 5,34%. Para o economista, a instabilidade e o baixo crescimento da economia têm feito com que praticamente todos os setores fechem vagas, principalmente indústria e construção civil. “Em 2013 fechamos o ano com a abertura de cerca de 16 mil postos de trabalho, e no ano passado eliminamos 2,3 mil vagas. Em 2014 os números foram piorando, tivemos menos contratações, principalmente indústria e construção. Serviços e comércio tiveram um pequeno saldo positivo”, avalia o economista. Para este ano, a tendência é que o índice de desemprego cresça ainda mais. “Apesar de o governo dizer que está bom, este ano o desemprego vai aumentar. Talvez no final do ano possa melhorar, mas a tendência é que o emprego sofra impacto negativo pela instabilidade da economia”, projeta.