Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

O fim do programa de leilões diários de swap cambial (que equivalem à venda de dólares no mercado futuro) anunciado na terça-feira pelo Banco Central, e o ambiente político tumultuado, fizeram com que a moeda americana interrompesse uma sequência de três dias de perdas e voltasse a subir ontem, com valorização de 2,30%, a R$ 3,197. Mas, considerando tudo, a alta não pode ser considerada extraordinária.No início do dia, o dólar superou 1% de valorização ante o real, numa primeira reação à decisão do BC. Na terça-feira, a instituição anunciou o fim dos leilões diários de swap a partir de abril e, ao mesmo tempo, indicou que a rolagem dos contratos que estão para vencer a partir de maio será integral. O mercado financeiro já havia embutido em grande parte nas cotações do dólar a perspectiva de que os leilões não continuassem. Ainda assim, havia alguns ajustes a serem feitos após a confirmação, o que abria espaço para uma pressão de alta no início do dia. “O dólar só não subiu mais porque, lá fora, a moeda americana estava caindo”, disse um profissional de corretora. Na avaliação do chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), José Júlio Senna, embora o real tenha se desvalorizado ontem, a decisão do BC ocorre num momento em que a pressão para a alta do dólar está menor.No Exterior, a última sinalização do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) é de que não há pressa para elevar a taxa de juros. Também ajudou a evitar uma explosão da cotação o fato de agência de classificação de risco Standard & Poor’s ter anunciou na segunda-feira a manutenção do grau de investimento do Brasil. “Os sinais do Fed e as reações do mercado estão mostrando que o fortalecimento do dólar lá fora pode dar uma trégua. E a S&P deu um sinal que ajudou a reduzir o risco Brasil”, avaliou.Além da questão dos swaps, o ambiente político pesou sobre os negócios. Na terça-feira, a Câmara aprovou projeto que obriga a presidente Dilma Rousseff a regulamentar em até 30 dias o projeto de lei que trocou os indexadores das dívidas de Estados e municípios com a União. Isso foi encarado pelo mercado como mais uma derrota para o governo, colocando em risco o ajuste fiscal promovido pelo Ministério da Fazenda. “A influência política sobre a alta do dólar está maior do que a do fim dos swaps”, afirmou o operador José Carlos Amado, da Spinelli Corretora. “O swap já estava meio que no preço, o mercado já vinha se ajustando. Mas a política incomoda. Toda vez que acontece algo novo, o mercado se retrai”, acrescentou.Pelos cálculos do Ministério da Fazenda, a mudança no indexador das dívidas de Estados e municípios, de IGP-DI mais 6% a 9% para IPCA mais 4% ou teto da Selic, fará com que o governo abra mão de R$ 163,1 bilhões até 2040. (Da Agência Estado)