Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

Apesar do cenário de baixo crescimento da economia brasileira, empresas de vários setores ainda apostam num futuro menos complicado - e mantêm investimentos e inauguram fábricas.

Nesta semana, por exemplo, a Bionovis anunciou que irá destinar R$ 739 milhões nos próximos dez anos para uma fábrica de biomedicamentos em Valinhos; a Vedacit investirá outros R$ 110 milhões em uma planta de mantas asfálticas em Itatiba; e no começo deste mês, a Sky fez o lançamento oficial de um centro tecnológico, em Jaguariúna, que receberá mais de R$ 1 bilhão. Isso soma mais de R$ 1,8 bilhão em novos projetos produtivos na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

O governo do Estado realizou uma cerimônia, na última terça-feira, no Palácio dos Bandeirantes, para apresentar o projeto da Bionovis. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou um decreto de desoneração que beneficia empresas da área de biotecnologia na aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado nas fábricas.

O texto estipula que fica suspensa a cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na importação de bens sem similar nacional; e garante o diferimento do imposto no caso da aquisição de bens de fabricantes localizados no Estado.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio França, afirmou que São Paulo tem vantagens competitivas em relação a outras regiões, como mão de obra especializada, estrutura logística e estabilidade de governança.

“Os investidores buscam segurança na hora de investir. E o Estado de São Paulo tem essas várias vantagens, além de ser o maior mercado consumidor do País”, disse.

O presidente da Investe São Paulo - Agência Paulista de Promoção de Investimentos, Juan Quirós, afirmou que os novos investimentos trazem emprego e renda para a região e para o Estado. “A Bionovis vai investir quase R$ 800 milhões. O salário médio dos funcionários será de R$ 10 mil”, comentou. O projeto conta com o apoio do órgão. Quirós salientou que a chegada da Bionovis vai promover a criação de uma cadeia de fornecimento de produtos para empresas de biotecnologia. “Também vamos ajudar na criação dessa cadeia de fornecedores”.

Segundo ele, os biofármacos trazem inovação para o setor de medicina e vão democratizar o tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS). “Trata-se de uma indústria de ponta na área de inovação no segmento de saúde”.

Ele comentou que existe uma demanda de investidores por informações para investir no Estado de São Paulo, e informou que articula a implantação de 12 projetos na Região Administrativa de Campinas, que deverão ser anunciados em seis meses, e cujos investimentos ultrapassam os R$ 2,5 bilhões. Cerca de 2.600 empregos diretos serão criados.

Biotecnologia

O diretor-presidente da Bionovis, Odnir Finoti, afirmou que hoje o Brasil importa todos os medicamentos biofármacos. “Ainda não há no País nenhuma fábrica que produz biofármacos. Os investimentos na planta de Valinhos serão de mais de R$ 500 milhões e vamos usar mais R$ 200 milhões para o desenvolvimento de produtos. Os recursos serão empregados ao longo dos próximos dez anos”, disse.

Ele comentou que a empresa irá gerar pelo menos 150 empregos diretos. A produção deve começar no final de 2016. “O setor é absolutamente novo no Brasil. A fábrica vai produzir medicamentos biológicos de alta complexidade voltados para o tratamento de doenças autoimunes, diversos tipos de câncer, doenças inflamatórias intestinais e doenças neurodegenerativas”.

Finoti comentou que Valinhos foi escolhida em decorrência da infraestrutura e mão de obra especializada da região. A Bionovis foi criada em 2012 e é uma joint-venture com investimentos de quatro laboratórios - Aché, EMS, Hypermarcas e União Química. Juntas, as empresas respondem por 33% do mercado farmacêutico brasileiro em volume.

“O capital é totalmente nacional. O desafio do desenvolvimento da indústria de biotecnologia no Brasil é grande, mas contará com quatro grandes empresas do setor de medicamentos”, disse.

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