Publicado 25 de Março de 2015 - 5h30

Mais uma vez, o cenário da indústria aponta para uma queda das atividades e dos investimentos. Sondagem industrial divulgada pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Campinas ontem mostra que houve redução nas vendas, na produção e na lucratividade das associadas da entidade em fevereiro.

Outro indicador ruim foi a balança comercial. Importações e exportações apresentaram declínio no começo de 2015. Mesmo com esse quadro, as indústrias criaram 700 postos.

A explicação para a disparidade entre o humor dos empresários e as contratações é que as indústrias locais já fizeram a adequação do quadro nos últimos dois anos. A pesquisa também detectou que cinco empresas – dos ramos automotivo, embalagens e máquinas agrícolas - foram as grandes responsáveis pelas admissões. Neste ano, o saldo está positivo em 2.600 empregos formais. Mas desde 2013 até agora o setor perdeu mais de 7 mil postos na região.

O professor do Centro de Pesquisas Econômicas da Faculdades de Campinas (Facamp), José Augusto Ruas, afirmou que a sondagem mostrou um aprofundamento da crise na indústria.

“Na pesquisa, 65% apontaram queda nas vendas. No indicador de produção, 65% informaram recuo em relação ao ano anterior e 84,4% afirmaram que houve alta no custo de produção nos últimos meses”, apontou.

O economista disse que o resultado dessa equação foi diminuição da lucratividade e corte de investimentos. “A maior parte das empresas consultadas informou que não pretende investir neste ano. O resultado da sondagem mostrou uma piora em quase todos os indicadores. O estudo apontou uma deteriorização significativa da situação em relação a fevereiro de 2014”, comentou.

Ruas salientou que os cenários interno e externo não sinalizam para um quadro melhor no primeiro semestre deste ano. “O dólar, que poderia ser uma variável positiva para a região, ainda não se mostrou como um alavancador de exportações porque o mercado internacional também passa por uma crise. A balança comercial mostra que há uma queda tanto das exportações quanto das importações. O recuo nas importações mostra que a indústria freou a produção”, explicou.

Balança e emprego

O diretor-titular do Ciesp Campinas, José Nunes Filho, afirmou que a balança comercial das 19 cidades que formam a regional apresentou uma diminuição de 20,74% nas exportações em fevereiro e um recuo de 1,77% nas importações em fevereiro.

“O déficit no acumulado de janeiro e fevereiro é de US$ 1,1 bilhão. No ano passado, o volume foi de US$ 1,2 bilhão”, comentou.

Com relação ao emprego, Nunes Filho ressaltou que o saldo está positivo, explicando porém que os empresários já fizeram o ajustes no quadro de funcionários durante os últimos dois anos. “Perdemos mais de 9.900 empregos nos últimos dois anos. Apesar da criação desse 2.600 postos, ainda temos um saldo negativo de mais de 7 mil”, comentou.

Ele disse que a tendência para os próximos meses é uma alternância entre cortes e contratações. “Não acredito que vamos registrar grandes demissões neste ano. A indústria já fez seu ajuste”.

Para ele, a situação continua muito preocupante e que o governo precisa adotar medidas que reativem a economia. “O grande problema é que o governo está fragilizado diante do Congresso. Espero que não transformem o ajuste fiscal em uma colcha de retalhos”.