Publicado 23 de Março de 2015 - 5h30

A montadora chinesa Chery reduziu de 30 mil para 25 mil a previsão de produção para este ano. Com isso, a fábrica de Jacareí vai operar com metade de sua capacidade instalada. Inicialmente, a fábrica foi projetada para uma capacidade de 150 mil carros ao ano, mas teve o plano alterado para 50 mil. “Não está sendo fácil”, diz o vice-presidente da Chery no Brasil, Luis Curi.

Além do fraco desempenho do mercado em razão da crise econômica, ele ressalta que a disparada do dólar provocou “um baque grande” nas atividades. O Celer, primeiro carro em produção no País, tem 55% a 65% de componentes importados.

Apesar das agruras, a Chery é a única entre dez marcas chinesas que anunciaram fábricas no País a iniciar operações. Somados todos os investimentos anunciados nos últimos anos, os chineses planejavam aplicar o equivalente a R$ 8,7 bilhões no País.

A JAC Motors chegou ao Brasil com estardalhaço e inaugurou 48 lojas num mesmo dia, em 18 de março de 2011. Em novembro de 2012 fez cerimônia da pedra fundamental da fábrica em Camaçari (BA), mas desde então, aguarda as obras do prédio. O investimento de R$ 900 milhões previa capacidade para 100 mil veículos ao ano.

Outras marcas cujos projetos ainda não saíram do papel são Changan, Hafei, Haima, Great Wall, Jinbei e Effa. A Lifan informou em 2014 que pretendia ter unidade local em três anos. A Geely disse em outubro que anunciaria sua filial “nos próximos meses”, mas agora o representante da marca no País, o grupo Gandini, diz não ter novidades sobre o tema.

O cenário para as marcas do país asiático já não era favorável desde que o governo instituiu a cobrança extra de 30 pontos porcentuais de IPI, em 2012. Piorou com a queda do mercado e se complicou com a alta do dólar.

Em 2009, a previsão era de que as chinesas representassem, hoje, 5% das vendas de automóveis e comerciais leves no País. No ano passado, essa participação ficou em 0,7%, com vendas de 24,8 mil veículos. (AE)