Publicado 02 de Março de 2015 - 5h30

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conseguiu o que poucos especialistas em finanças públicas consideravam possível: angariou um volume considerável de receitas que têm efeito direto na recuperação do desmilinguido superávit primário - a economia para o pagamento de juros da dívida, essencial para a recuperação da credibilidade financeira do País. Numa sucessão de articulações políticas, cortes de gastos e aumentos de receitas, algumas inesperadas, o ministro ficou mais perto de cumprir a meta de superávit do ano, que equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).Levy acrescentou ao menos R$ 25 bilhões ao esforço fiscal. É como se tivesse feito um superávit primário de 0,46% em uma semana. Somando ao que já havia anunciado com medidas anteriores - cerca de 0,24%, em previsões mais realistas - a Fazenda já teria conseguido algo como um superávit primário de 0,7% do PIB para 2015. As estimativas são do economista Gabriel Leal de Barros, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre).Quatro medidas fizeram a diferença, segundo Barros. Todas são impopulares, mas eficientes para que se cumpra a meta do jeito correto, sem a “contabilidade criativa” que se viu em anos anteriores. “Eu estava pessimista, mas depois das últimas medidas Levy mostrou que não está para brincadeira”, disse Barros.A medida mais inesperada foi o aumento das alíquotas de contribuição previdenciária das empresas sobre a receita bruta, que veio por medida provisória, na sexta-feira. Pelas contas da Fazenda, daí sairão neste ano R$ 5 bilhões - um adicional de 0,1 ponto percentual ao superávit primário. A medida, na prática, reduz a desoneração da folha de pagamento - e torna mais caro contratar. As empresas não gostaram. Garantem que ela vai gerar demissões e piorar o já combalido crescimento econômico. Levy, porém, subiu o tom ao anunciar a revisão: “Essa brincadeira da desoneração da folha nos custa R$ 25 bilhões por ano, sem oferecer os resultados esperados”. (Da Agência Estado)