Publicado 01 de Março de 2015 - 5h30

[CR_TXT_3LINH]De São Paulo[/CR_TXT_3LINH]

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou as notas de crédito (rating) de títulos de cinco empresas que têm contratos de afretamento de navios petroleiros com a Petrobras.

No total, as dívidas rebaixadas somam US$ 5 bilhões. Das cinco empresas, duas são brasileiras: a Odebrecht e a Schahin. De acordo com o comunicado da Moody’s, um dos motivos do rebaixamento foi o aumento de risco de liquidez dessas dívidas em função da deterioração do perfil de crédito da Petrobras.

Na semana passada, a Moody’s rebaixou a nota da empresa - que deixou de ser “grau de investimento”, ou seja, passou a ter um risco maior em sua capacidade para honrar dívidas.

A agência também levou em consideração a performance dos contratos das empresas em 2013 e 2014, a idade e o valor dos petroleiros, o valor diário dos contratos em relação aos praticados atualmente, o prazo da dívida em contrapartida com os prazos dos contratos e o potencial de impacto das investigações da Operação Lava Jato em alguns sócios das empresas que emitiram os títulos.

Para algumas companhias, a Moody’s ainda levou em conta a fraca demanda mundial por navios petroleiros, o que eleva o risco para algumas empresas de não ter como afretar os navios petroleiros quando terminarem os contratos com a Petrobras.

Dentre as seis séries de títulos das empresas, duas delas são de uma subsidiária internacional da Odebrecht, ligada à Odebrecht Óleo e Gás, e somam US$ 3,4 bilhões. A nota que era Ba1 passou para B2. Em uma das séries que serviram para financiar os petroleiros Norbe VIII e Norbe IX, a Moody’s chamou a atenção para o fato de um deles estar com uma performance significativamente abaixo da prevista nas projeções da agência.

No caso dos petroleiros da Schain, que estão sob o guarda-chuva da Schahin II Finance Company e foram financiados com emissão de US$ 650 milhões, a agência diz que existe um risco de a Petrobras não recontratar os petroleiros, apesar de o contrato prever uma prorrogação por dez anos. A nota saiu de B1 para Ba1.

As outras empresas que tiveram as notas dos títulos de crédito rebaixadas foram estrangeiras, entre elas a SBM Baleia Azul, que pertence a um grupo holandês, a Lancer Finance Company, da Turasoria, e a QGOG Atlantic, da empresa Hopelake Services. (Da Agência Estado)