Publicado 01 de Março de 2015 - 19h05

A corrida de bicicleta

A vida é como uma grande corrida de bicicleta — cuja meta é cumprir a lenda Pessoal.

Na largada, estamos juntos — compartilhando camaradagem e entusiasmo. Mas, à medida que a corrida se desenvolve, a alegria inicial cede lugar aos verdadeiros desafios: o cansaço, a monotonia, as dúvidas sobre a própria capacidade.

Reparamos que alguns amigos desistiram do desafio — ainda estão correndo, mas apenas por que não podem parar no meio de uma estrada; eles são numerosos, pedalam ao lado do carro de apoio, conversam entre si, e cumprem uma obrigação.

Terminamos por nos distanciar deles; e então somos obrigados a enfrentar a solidão, as surpresas com as curvas desconhecidas, os problemas com a bicicleta. E, ao cabo de algum tempo, começamos a nos perguntar se vale à pena tanto esforço.

Sim, vale a pena. É só não desistir.

Santo Agostinho

e a lógica

Deus fala conosco através de sinais. É uma linguagem individual, que requer fé e disciplina para ser totalmente absorvida.

Santo Agostinho foi convertido desta maneira. Durante anos procurou, em várias correntes filosóficas, uma resposta para o sentido da vida. Certa tarde, no jardim de sua casa em Milão, refletia sobre o fracasso de toda a sua busca. Neste momento, escutou uma criança na rua, cantando: “Pega e lê! Pega e lê!”.

Apesar de sempre ter sido governado pela lógica, resolveu — num impulso — abrir o primeiro livro ao seu alcance. Era a Bíblia, e ele leu um trecho de São Paulo — com as respostas que procurava.

A partir daí, a lógica de Agostinho abriu espaço para que a fé também pudesse participar, e ele se transformou num dos maiores teólogos da Igreja.

As quatro forças

O padre Alan Jones diz que, para a construção de nossa alma, precisamos das Quatro Forças Invisíveis: amor, morte, poder e tempo.

É necessário amar, porque somos amados por Deus. É necessária a consciência da morte, para entender bem a vida.

É necessário lutar para crescer — mas sem cair na armadilha do poder que conseguimos com isto, porque sabemos que ele não vale nada.

Finalmente, é necessário aceitar que nossa alma — embora seja eterna — está neste momento presa na teia do tempo, com suas oportunidades e limitações. Assim, temos que agir como se o tempo existisse, fazer o possível para valorizar cada segundo.

Estas Quatro Forças não podem ser tratadas como problemas a serem resolvidos, porque estão além de qualquer controle. Precisamos aceitá-las, e deixar que nos ensinem o que precisamos aprender.

Culpando os outros

Todos nós já escutamos nossa mãe dizendo a respeito de nós mesmos: “Meu filho fez isto porque perdeu a cabeça, mas — no fundo — é uma pessoa muito boa”.

Uma coisa é viver culpando-se por atos impensados que nos fizeram errar; a culpa não nos leva a lugar nenhum, e pode nos tirar o estímulo de melhorar. Outra coisa, porém, é viver se perdoando por tudo que fazemos; agindo assim, nunca seremos capazes de corrigir nosso caminho.

Existe o bom senso, e devemos julgar o resultado de nossas atitudes — e não as intenções que tivemos ao realizá-las. No fundo, todo mundo é bom, mas isto não interessa.

Disse Jesus: “É pelos frutos que se conhece a árvore”.

Diz um velho provérbio árabe: “Deus julga a árvore por seu frutos, e não por suas raízes”.