Publicado 27 de Março de 2015 - 5h30

O Cemitério Nossa Senhora da Conceição, em Campinas, conhecido como Cemitério dos Amarais, ganhou um galinheiro. O abrigo das aves foi construído no fundo da área, no local onde são queimadas coroas de flores e resto de lixo, perto de um dos muros. Quem passa pelo local escuta o barulho e sente o cheiro dos animais. São 24 aves, entre pintos, galinhas e galos. Ao lado do galinheiro foi feita ainda uma pequena plantação de hortaliças. O presidente da autarquia Serviços Técnicos Gerais (Setec), que administra o cemitério, Sebastião Sérgio Buani dos Santos, disse que desconhecia a existência das aves e que irá investigar quem construiu o poleiro.

O galinheiro fica dentro do terreno do cemitério, em uma parte separada por um muro branco. Porém, não há portão nesta área e qualquer pessoa tem acesso ao poleiro e à horta. Construído com madeira e arame, o abrigo é divido em duas partes e tem aproximadamente 20 metros quadrados. São pelo menos cinco galinhas, dois galos e vários pintinhos. Já a horta tem cerca de 30 metros quadrados.

“Descobri o galinheiro porque ouvi o cacarejo das galinhas. Como o cemitério é muito grande, eu não sabia de onde vinha. Fui seguindo o barulho até os fundos”, disse a aposentada Gumercinda dos Santos, de 66 anos. A idosa visita com frequência o túmulo do marido nos Amarais, e disse que considera a presença dos animais uma falta de respeito. “E para que eles usam essas galinhas? Vendem? O cemitério é público, não pode ter criação”, disse a aposentada.

Outra frequentadora do cemitério, que não quis se identificar, disse que o poleiro está no local há pelo menos seis meses. “Desde que eu venho visitar o cemitério o galinheiro está aqui. Eu achei estranho no começo, mas agora até me acostumei”, contou. A mulher disse, porém, que o galinheiro deveria sair do local. “A pergunta é por que fizeram o galinheiro ali? Alguém está sendo beneficiado com isso. Devem estar vendendo.”

O Correio tentou falar com funcionários do local sobre quem construiu o abrigo das aves e a horta, mas eles preferiram não se pronunciar sobre o assunto. Também não foi informado se as aves comem ração, ou se alimentam com larvas do solo. Os corpos em decomposição do cemitério produzem necrochorume, que contamina a terra.

Sebastião Sérgio Buani dos Santos afirmou que não sabia que o Cemitério dos Amarais tinha o galinheiro. “Eu estive lá hoje (ontem) mesmo, gravei um programa de televisão lá. Andei pelo cemitério e não vi galinheiro nenhum. Nunca autorizaria a criação de galinhas no Cemitério dos Amarais”, disse ele. Ainda segundo o presidente da Setec, o galinheiro será desmontado e o responsável será punido. “Principalmente se ele estiver comercializando as aves criadas na área do cemitério.” Santos não informou, porém, o que será feito com as galinhas.