Publicado 27 de Março de 2015 - 5h30

Campinas já tem 7.621 casos confirmados de dengue este ano e 7.284 sob investigação, segundo novo balanço divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde. Somente em março, foram 3.526 novos casos. A escalada vem desde o começo do ano, quando a Saúde registrou 1.176 casos em janeiro e 2.919 em fevereiro. Com esses números, a cidade registra a pior marca histórica para o bimestre (4.095 infecções no período) desde 1998, quando começaram a ser registrados os dados.

Comparado ao mesmo período do ano anterior, o número confirmado até a terceira semana de março deste ano supera em 633% o de 2014, quando foram 1.042 confirmações. Em todo o ano passado, quando Campinas registrou sua maior epidemia de dengue, foram 41.218 casos. Os casos de pacientes que estavam com sintomas antes da suspensão da sorologia — que ocorreu na segunda-feira, 23 — serão ainda acompanhados pelos exames. Isso porque há possibilidade de descarte da doença tanto pelo resultado laboratorial como por exame clínico.

A sorologia é suspensa a partir de quando há 80 notificações para cada 100 mil habitantes. A partir daí, os diagnósticos são confirmados já a partir dos sintomas. A sorologia é colhida no sétimo dia da doença. Os exames para casos graves e óbitos relacionados à dengue continuam sendo realizados. O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) informou ainda que a cidade tem três pacientes que correm risco de morte, por estarem com a forma grave da doença. Campinas já confirmou uma morte por denque este ano e investiga outras quatro.

A região Sul é a mais afetada da cidade, com 2.839 infecções. A região Sul é composta por bairros como Swiss Park, Jardim Proença, Parque Prado Jardim Leonor, Vila Formosa, Jardim Campo Belo e Parque Oziel. Em seguida, vem a região Leste, com 2.087 casos, composta pelos bairros Nova Campinas, Taquaral e os distritos de Sousas e Joaquim Egídio.

Segundo o médico epidemiologista da Vigilância em Saúde, André Ribas, o momento ainda é de observação da curva epidemiológica, uma vez que os meses de março e abril são considerados os de pico da transmissão. “O que vai ser daqui para frente depende do clima. Vamos observar”, afirmou.

Os centros de saúde com maior número de casos já organizaram os fluxos de assistência para atender com maior agilidade os casos suspeitos. A Prefeitura montou alas especiais em unidades de saúde com o objetivo de atender pacientes com suspeita de dengue e, além disso, tornou a prevenção à doença um assunto de responsabilidade de diversas secretarias. O paciente que estiver com sintomas de dengue — febre, dor no corpo, dor de cabeça — deve procurar atendimento médico e manter-se hidratado.

Atendimento a caso suspeito acaba em agressões

Uma briga entre pacientes e funcionários do Hospital Municipal Mário Gatti, na tarde de terça-feira, acabou na polícia. Tudo começou porque mãe e filha protestavam contra o atendimento prestado pelo médico de plantão a um parente. Uma enfermeira interveio e começou a discutir com as duas. A troca de ofensas evoluiu para a agressão física: tapas, mordidas, empurrões. As envolvidas registraram boletins de ocorrência. As duas partes alegam que só revidaram a agressões.

A confusão ocorreu durante a consulta do aposentado Carlos Roberto Loureiro, de 64 anos, que estava mal havia três dias: vômito, dores no corpo, estado febril. A mulher dele, Edna Duarte de Oliveira, disse que a família suspeitava de dengue. O médico decidiu que o paciente seria hidratado com soro. Mas Edna conta ter exigido que o marido fosse submetido a hemograma, para identificar o número de plaquetas no sangue e constatar a doença. Ao lado dela, estava sua filha, a comerciária Laura, de 30 anos, que também protestava. Uma enfermeira, então, começou a discutir com Edna e Laura, dizendo que elas não tinham o direito de dar escândalo no consultório. Nenhuma das partes admite que partiu para as agressões. Os dois lados afirmam ter testemunhas sobre quem bateu primeiro.

Edna reconhece que o hospital público é superlotado e que o clima é nervoso, principalmente em meio à epidemia de dengue. Mas considerou absurda a reação da enfermeira, que já teria discutido com outros pacientes. Ela diz que tentou denunciar a servidora na ouvidoria do Mário Gatti, mas não conseguiu. A direção do hospital informou que o caso está sendo apurado administrativamente. Segundo funcionários, a servidora é antiga de casa, e nunca se envolveu em situação semelhante. A confusão, avaliam, pode ter acontecido porque a família do paciente não conheceria os procedimentos no PS. Antes de fazer hemograma, o aposentado precisava ser hidratado com soro. Possivelmente, seria encaminhado para o exame de sangue em seguida. (AAN)