Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

“Fazer o bem sem olhar a quem...” Esse conhecido ditado exemplifica o trabalho da organização não governamental (ONG) e sem fins lucrativos Associação Amor e Paz, localizado no Jardim Icaraí, em Campinas. Com apenas cinco anos de fundação, a entidade comemora, apesar das dificuldades financeiras, os bons resultados obtidos com seus programas sociais junto à comunidade do bairro, como as aulas de dança e canto para os jovens, geração de emprego com os cursos de artesanato e para a terceira idade, com orientação e inclusão digital.

Segundo o presidente da instituição, Luiz Henrique da Silva, são pequenas ações que resultam em grandes resultados. “Por se tratar de uma comunidade sem muitos recursos, até o simples fica complicado para eles. Orientamos desde como proceder para tirar um documento até correr atrás da casa própria”, explica o presidente.

Porém, ao longo dos anos, a ONG percebeu que precisava preencher uma lacuna que não só seria importante no aspecto social, mas também no ambiental. Depois de muito estudo, pesquisa e contato com possíveis parceiros, montou um projeto que consiste em um trabalho de educação socioambiental e arborização urbana com os alunos da escola estadual de Ensino Fundamental do Jardim Icaraí.

A proposta é inserir cerca de 20 minutos diários em cada uma das 24 turmas durante todo o ano letivo. Com isso, a associação acredita que o contato de cerca de 730 alunos com as questões ambientais fique mais próximo. “Sabemos que o tempo não é o suficiente, mas não podemos atrapalhar o período escolar. Por ora, será o ideal para o início”, aponta Silva.

Com previsão para durar até o final do ano letivo, a ação conta com apostilas elaboradas pela equipe responsável, que focará em cada encontro temas específicos e alguns mais pontuais para aproveitar o que acontece no momento. Assuntos como a crise hídrica, dengue e os três Rs da sustentabilidade (reutilizar, reduzir e reciclar) estão entre os assuntos que serão abordados com o apoio do material didático próprio.

A iniciativa, conta Silva, surgiu a partir do entendimento de que cabe à educação um papel de destaque no processo e no comprometimento de uma pedagogia apropriada e dinâmica que possa alimentar as mudanças no meio ambiente. Dessa forma, a associação entende que torna-se dever de todos a criação de alternativas para solucionar esses problemas e, como primeira lição, serão feitos plantios de mudas no entorno da escola.

Para tornar a ação mais prática, periodicamente, os alunos farão o plantio, que será acompanhado de lições e dicas de como preservar a natureza. As mudas serão doadas pela ONG Escola Viveiro Multiplicadora Artesã, parceira do projeto e que também dará as instruções de como realizar a semeadura, assim como sua conservação.

Um viveiro localizado nas dependências da escola será a moradia provisória das plantas que estarão sob os cuidados dos alunos e professores até serem encaminhadas para um novo lar. As mudas serão repostas proporcionalmente e quem quiser arborizar o bairro, mesmo não sendo aluno, poderá solicitar uma, mas desde de que se comprometa com as diretrizes do projeto.

“Queremos que todos participem, alunos, professores, funcionários e comunidade, afinal de contas, é para eles. Acreditamos que, quando a consciência se torna algo presente, não há como fugir da responsabilidade”, destaca. No último mês das aulas, previsto para novembro, haverá o dia de mobilização e educação no bairro, que contará com uma passeata de todas as turmas pelas ruas do local. Serão distribuídos panfletos sobre as ações ambientais e oferecidas atividades artísticas e culturais para celebrar a iniciativa. A data ainda será definida.

Parceiros abrem espaço para a realização das aulas

Graças a parcerias com igrejas e pessoas dispostas a ajudar, a ONG Amor e Paz consegue manter suas aulas e prestar assistência à comunidade mesmo sem ter sede oficial, já que funciona provisoriamente na casa do presidente. Mas nem mesmo a dificuldade de moradia impediu a entidade de ter êxito nas ações.

A equipe de artesanato, por exemplo, já formou alunas que hoje ganham uma renda extra com suas produções que atendem aniversários, casamentos e comemorações em geral. A aula de costura, que já não é mais oferecida, formou alunas e uma delas possui o próprio negócio, confeccionando roupas para cachorros.

A inclusão digital para a melhor idade, as aulas de dança hip hop oferecida pelo Grupo M.O.S e de canto com o maestro Jonnhy também são oferecidas à comunidade e são motivos de orgulho. “Não é raro ouvir relatos de que nossa assistência mudou a vida deles e isso nos motiva a oferecer mais, mesmo sem muito recurso”, desabafa Luiz Henrique da Silva.

O desejo de mudanças também faz com que a entidade não esqueça da natureza em suas aulas e, por isso, faz questão de unir a preservação às atividade cotidianas. Durante o contato com a comunidade, faz orientações quanto ao descarte correto de óleo, utilização de retalhos e materiais recicláveis nas oficinas de artesanato e faz o encaminhamento de computadores inutilizados para empresas especializadas no reaproveitamento e descarte de peças. “Dentro dos monitores de tubo há materiais pesados que ao entrarem em contato com o solo podem contaminar o lençol freático e consequentemente as reservas hídricas”, ressalta. (VT/AAN)