Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

Cerca de 500 alunos da Associação Douglas Andreani, no Jardim Monte Cristo, em Campinas, ficaram sem aula ontem em razão de atraso no pagamento dos funcionários. A creche atende crianças com idades entre 2 anos e meio e 6 anos, em período integral. O atraso no pagamento de salários e benefícios ocorreu porque a entidade não recebeu o repasse de verbas da Prefeitura referente a este ano, já que está com uma certidão negativa de débito federal pendente. O documento seria emitido até as 17h de ontem pela Receita Federal, o que não ocorreu. Sem previsão de quando irão receber, os funcionários ameaçam manter a paralisação.

Segundo a assistente administrativa Viviane Krepk, a última resposta da Receita Federal foi de que o órgão “aguarda a Procuradoria”. Desde o final do ano passado, a escola acumulava uma dívida alta. Uma delas impedia a emissão pela Receita Federal da certidão negativa de débito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A dívida foi quitada, mas o documento ainda não foi emitido.

“A Receita pediu prazo até 17h de hoje (ontem) para emitir a certidão, mas, apesar de apresentarmos todos os comprovantes, a nossa CND não foi liberada mais uma vez”, disse. Somente ontem, Viviane disse que esteve no órgão três vezes. “Estive pessoalmente na Receita às 7h, às 12h e às 18h e eles estão cientes do problema que a falta deste documento está gerando”, afirmou. A Receita Federal informou que não comenta casos dessa natureza por envolver sigilo fiscal.

Ontem, a escola teve aula parcial. Dos 620 estudantes atendidos pela creche, apenas 120 ficaram na escola. “Trabalhamos com 20 funcionários, de um total de 65, e não seria possível atender todas as crianças com esse efetivo. Então, foi pedido aos pais que tivessem condição de ficar com os filhos que não deixassem na escola.”

Com os salários atrasados desde o início do mês, os funcionários tinham decidido que não iriam trabalhar a partir de ontem até que os vencimentos e benefícios fossem pagos. “Pedi a todos que voltassem, mas só vamos saber amanhã (hoje)”, afirmou Viviane.

O repasse do Município para este ano será de R$ 2,8 milhões. O dinheiro deve ser usado para pagamento de salários de funcionários, impostos sobre a folha de pagamento, material pedagógico e para limpeza. O restante das despesas, como água, luz e gás, devem ser arcados pela instituição.

Com problemas financeiros, a associação passou a contar com a doação de R$ 20,00 dos pais. Procurada, a Prefeitura informou que aguarda a associação regularizar a situação para fazer o repasse dos recursos.

Governador critica greve no Estado

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) chamou de “intempestiva” a greve dos professores estaduais, decretada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) no dia 13 de março. A afirmação foi feita durante visita ontem a Campinas. “A greve é o último recurso que você utiliza. Não tem sentido em uma secretaria que é aberta ao diálogo. Não tem sentido fazer uma greve de maneira intempestiva, decidida dentro de um movimento político. Não é adequado”, disse. Durante a visita do governador, um grupo de professores levou cartazes reivindicando aumento salarial para os docentes. Em Campinas, o movimento já tem uma adesão de 30%, segundo balanço do sindicato. Os professores buscam mobilizar o restante da categoria e a comunidade em reivindicação por melhores salários e condições. Entre os pedidos, estão aumento de 75,33%, conversão do bônus em reajuste e reabertura das classes e períodos fechados. (IM/AAN)