Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) regulamentou a área envoltória do antigo Conjunto da Imigração de Campinas, um conjunto de três edifícios construídos na área ferroviária para receber os imigrantes que chegavam no Estado e ficavam em quarentena antes de ir trabalhar na lavoura ou nas indústrias. Conforme resolução publicada ontem no Diário Oficial do Município, a área envoltória foi fixada em zero, pois as edificações já estão inseridas na área tombada do Complexo Ferroviário Central. Com isso, modificações urbanísticas podem ser feitas no entorno, desde que esse conjunto seja preservado.

Pela Hospedaria dos Imigrantes, conjunto construído na Avenida Salles de Oliveira, passaram cerca de 1,5 mil imigrantes, entre 1904 e 1909, segundo o historiador Henrique Anunziatta. Eles começaram a ser construídos em 1887, ainda no Império, mas pararam. As obras só foram retomadas em 1892 e finalizadas em 1904.

Não foi, no entanto, a primeira hospedaria de imigrantes de Campinas. Segundo Anunziatta, existiu, desde 1885, uma hospedaria provisória no Largo de Santa Cruz. O historiador apurou que há registros de que o Mercado Grande teria sido usado em situação emergencial como alojamento. “Realmente, em abril de 1885, uma grande leva de imigrantes italianos e portugueses chegaram em Campinas, parte com destino certo e outros sem contratos. A situação foi tão grave que os acontecimentos repercutiram na Corte”, disse.

Segundo a pesquisa de Anunziatta, a Gazeta de Notícias, editada no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1885, reproduzia notícia estampada no Diário de Campinas, tratando da situação de imigrantes que perambulavam pelas ruas da cidade. Esse quadro levou o vereador José Paulino Nogueira, em outubro de 1887, a sugerir à Câmara a criação de hospedaria para imigrantes e seus familiares. O terreno escolhido ficava na Rua Francisco Theodoro com fundos para a Salles de Oliveira.