Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

A empresa responsável pela manutenção da escada rolante da Terminal Rodoviário de Campinas, quebrada há mais de um mês, entrou ontem com pedido de rescisão de contrato com a Socicam, administradora da unidade. A Engetax alega que a concessionária está desrespeitando as cláusulas do documento ao orçar peças de reposição de equipamentos com empresas não-autorizadas.

Segundo a direção da Engetax, esta é a causa da demora para conserto da escada rolante. A Socicam teria pedido a outra companhia um corrimão de plástico para a escada, de qualidade inferior, em vez da peça de borracha, adequada ao modelo utilizado no terminal. No momento da instalação, depois de perceber que a peça não se encaixaria, desistiu da compra, diz a empresa. O mesmo estaria ocorrendo com peças de reposição do elevador, que segundo a Engetax seriam de sua responsabilidade.

A direção da Engetax fez fotografias de funcionários de outra empresa, a Escal, mexendo nas engrenagens da escada rolante interditada. Pelo contrato, além de fazer a manutenção periódica do equipamento, a Engetax é responsável por fazer a reposição das peças. A direção informou que costuma orçar peças originais da Thyssenkrupp, fabricante do equipamento. Os produtos originais são mais caros, mas possuem garantia. Disse ainda que existe uma responsabilidade civil e criminal da Engetax sobre acidentes com o elevador, por isso prefere romper o contrato. A companhia teme que um acidente sério possa ocorrer.

A Socicam tem um prazo de um mês para achar outra empresa de manutenção, quando a atual empresa responsável para totalmente de prestar serviço. Escadas rolantes quebradas são um problema recorrente rodoviária. O Correio fez reportagem em setembro do ano passado relatando o martírio dos usuários que precisavam subir a escadaria com malas ou esperar em fila pelo elevador. Desde o final de fevereiro, o cenário é o mesmo: passageiros descem com bagagens e caixas pela escadaria, sem qualquer tipo de auxílio. Funcionários afirmam que ela está quebrada há cinco semanas.

O aposentado Leonel da Silva, de 74 anos, precisou descer uma caixa pesada nos ombros pela escadaria. Ele desistiu de utilizar o elevador porque havia uma fila de espera. “Na verdade eu até me acostumei e ajudo outras idosas a descer com as malas. Mas é um absurdo esta demora. Não é possível que seja tão difícil o conserto de uma escada rolante.”

A aposentada Deolinda da Silva, de 65 anos, demorou cinco minutos para descer a escadaria com sua mala. “Eles poderiam colocar funcionários para nos ajudar com a bagagem.”

A Socicam foi procurada, mas o representante indicado para falar não foi localizado até as 22h. A assessoria deve dar um posicionamento hoje. A Escal também foi procurada por telefone, mas não houve resposta.