Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou ontem, em Campinas, a criação de uma “força tática” para reforçar as ações de combate à dengue nos municípios com mais casos da doença. Entre as principais ações estão a contratação de 500 novos agentes para a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e de 30 médicos militares, em parceira com Segurança Pública. A quantidade de agentes duplica o quadro atual de profissionais no Estado, que passa para mil.

No anúncio, Alckmin afirmou que a região de Campinas deve ser prioritária na distribuição dos novos agentes. Na área estão concentrados 42 municípios. Algumas dessas cidades já confirmaram estar enfrentado uma epidemia da doença, como Sumaré e Campinas. Já os médicos militares serão distribuídos entre os municípios com situação mais crítica. Porém, o envio do recurso humano só ocorrerá se os municípios fizerem o pedido à Sucen. Hoje, a região já possui agentes da superintendência atuando no combate à doença, principalmente nas ações de nebulização costal. O número total desses profissionais não foi informado pelo órgão.

O trabalho dos novos agentes está previsto para ter início já em abril, conforme as solicitações forem ocorrendo. O contrato deles tem duração de três meses — período considerado estratégico para o combate à proliferação dos mosquitos.

No total, a Saúde investirá R$ 6 milhões no plano. Também foram comprados 150 atomizadores costais para aplicação de inseticidas e 450 kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que garantem a segurança dos funcionários. Também foram adquiridas sete vans para o deslocamento das equipes e a manutenção de 50 caminhonetes utilizadas para transporte de máquinas, inseticidas e insumos.

Em Campinas, a preocupação com a doença já faz parte do dia a dia dos moradores. A cidade já somou 5.245 casos confirmados de dengue este ano, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo. Há ainda 8.414 casos notificados, que poderão ser confirmados como a doença, uma vez que sorologia foi suspensa no início da semana.Na mesma época do ano passado, a cidade tinha confirmado 1.042 casos de dengue.

A suspensão da sorologia significa que a dengue é confirmada sem a necessidade de exame de sangue, apenas exame clínico. Isso ocorre quando há mais de 80 casos para cada 100 mil habitantes, e é uma medida indicada pelo governo estadual. Houve um registro de morte confirmada pelo agravamento da doença, de um homem de 78 anos. Outras quatro estão sendo investigadas.

Por meio de assessoria, o secretário municipal de Saúde, Carmino de Souza, afirmou que ainda não foi informado pelo Estado da contratação dos novos agentes, mas adiantou que tem interesse de solicitar a presença dos novos profissionais para agir na cidade.

Campinas poderá utilizar hospital de campanha em caso de emergência

Em meio a uma nova epidemia de dengue, a região leste (onde estão bairros como Taquaral, Flamboyant e Mansões Santo Antônio) é a nova preocupação da Prefeitura de Campinas, por concentrar o crescimento na transmissão da doença.

Denúncias de criadouros do mosquito transmissor, no entanto, são feitas em todas as regiões da cidade. Relatos de pontos suspeitos são enviados ao Correio diariamente por “leitores-fiscais” via redes sociais, telefonemas, e-mails para a redação ou pelo aplicativo Whatsapp. Também é possível enviar informações pelo Portal RAC ou Correio.com.br. Vários dos pontos são visitados pela reportagem e todas as denúncias, independente de publicação, são repassadas aos órgãos competentes.

Dos pontos visitados ontem, um fica na região Leste, no Taquaral, onde uma residência utilizada como abrigo de crianças, locado pela Administração, causa preocupação a vizinhos. A casa possui piscina, que tem proteção para evitar acidentes, mas está sem manutenção e descoberta. Um vizinho afirmou que o local está assim há anos, e que existem muitos mosquitos nas proximidades.

Duas casas da rua tiveram pessoas infectadas pela dengue. Moradores daquela região também dizem que a casa não teria infraestrutura para atender os 13 jovens (de 7 anos a 17 anos) que moram lá. A Secretaria de Cidadania, Assistência e Inclusão Social informou que a piscina é tratada com cloro constantemente. A Administração também informou que a infraestrutura da casa passa por manutenção semanalmente.

Outro imóvel que gera preocupação fica no bairro Boa Esperança, na Rua Ermínio Vassoler. Na calçada, há uma montanha de lixo. A locatária do imóvel, que pediu para não aparecer na reportagem, afirmou que o entulho é do proprietário, que não permite jogá-los fora. Ela disse que vai encerrar o contrato de locação. O proprietário do imóvel não foi localizado. A Prefeitura informou que irá procurar o dono e, caso não o encontre, usará a lei que modifica penalidades e obriga proprietários de imóveis fechados a fazer a limpeza dos locais no prazo de 48 horas.

Comércio

Na Rua Duque de Caxias, no Centro, um prédio de três andares onde funcionava há cerca de cinco anos uma sauna tem causado preocupação nos moradores. O comércio se chamava “Thermas Atlântida”. O problema é uma fonte, que fica no último andar, e está desativada. Não há manutenção, afirmaram os vizinhos. Quando chove, a água se acumula no chafariz. A rua, segundo relatos, está infestada de pernilongos. A Prefeitura informou que tentará contato com imobiliária ou proprietário. Caso não consiga, irá usar a lei que obriga proprietários de imóveis fechados a fazer a limpeza dos locais no prazo de 48 horas.

Terrenos

A reportagem também verificou ontem um terreno na Rua Mário Siqueira, no Botafogo. Ele é de propriedade do Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa (Ipep), que comprou a área de 10 mil metros quadrados, em 2006. As reclamações de vizinhos são sobre o mato alto, que não permite visualizar se há lixo ou entulho. Com as chuvas, esse material poderia acumular água e se tornar criadouro do mosquito da dengue. Um funcionário do local informou que não há criadouro. O Ipep informou que não consegue efetuar a limpeza, pois a área está invadida e a decisão de reintegração ainda não é definitiva, o que impede alguma ação no terreno.

Outros dois terrenos no bairro Boa Esperança também causam preocupação nos moradores. O primeiro fica na Rua Ermínio Vassoler, e o mato está alto. Na Rua Miguel Arnaldo Anderson, o terreno apresenta a mesma situação. Os donos não foram encontrados.

Também com mato alto, um terreno baldio na Rua José Rodrigues, no Jambeiro, assusta os moradores. O espaço tem uma obra inacabada e os vizinhos reclamam de água parada. Outro terreno denunciado fica na Rua José dos Santos, próximo à Avenida John Boyd Dunlop, no Jardim Aurélia. O local acumula entulho e também animais, como ratos. Uma casa foi construída na área há seis anos, pelo morador Airton Andrade. Ele admite a invasão e afirmou que tenta manter o local limpo. Andrade está com sintomas de dengue: febre, dor no corpo e dor de cabeça.

A Coordenadoria de Fiscalização de Terrenos (Cofit), ligada à Secretaria de Serviços Públicos, informou que vai averiguar todos os casos citados pela reportagem. Por mês, em média, 400 proprietários têm sido notificados pela Cofit a fazer a limpeza de seus terrenos. Mas, antes de partir para esta medida, a Prefeitura sempre busca o contato com o dono para as providências.

Acumuladores

Na Rua Orestes Colombari, no Jardim Pauliceia, o problema ocorre em uma casa onde há acúmulo de roupas, material reciclável e outros objetos. A dona da residência, Joana Rosa, admitiu que acumula as coisas e não consegue vendê-las, mas que vai solucionar o problema. Ela não acredita que os objetos possam ser criadouros de dengue. Os vizinhos denunciaram a casa porque há muitos pernilongos no bairro, e há três vizinhos com dengue. Ela não permitiu fotografar o interior da residência, onde há caixas, garrafas pets e outros objetos espalhados. A Prefeitura informou que enviará uma equipe do Centro de Saúde da região para avaliar a situação. (Sarah Brito/AAN)