Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

A crise de abastecimento que rondou a Região Sudeste do País, trazendo graves consequências para o Estado de São Paulo e, particularmente, à região de Campinas, trouxe lições que foram aprendidas a duras penas, expondo falhas na gestão do sistema e na falta de previsão dos gravames decorrentes de uma seca que poderia ser antecipada. O estado de esgotamento do Sistema Cantareira criou uma expectativa de que faltaria água nas torneiras, impondo um racionamento drástico e inconveniente, afetando a rotina diária de milhões de pessoas e onerando a situação do sistema produtivo que depende de abastecimento regular para seu planejamento de atividades.

Foram meses seguidos de uma estiagem como não se registrava há 80 anos, ainda que houvesse estudos que permitiriam prever uma situação crítica de tal monta. Foi desesperador acompanhar diariamente a queda do nível dos reservatórios e assistir à degradação dos rios secos, perdendo flora e fauna a olhos vistos. Tudo levava a crer numa crise de abastecimento muito mais grave da que se realizou, fornecendo inclusive farto municiamento para campanhas eleitorais. Houve medidas paliativas, investimentos em obras emergenciais e muita esperança de que o ambiente reagiria de forma a restabelecer o estoque líquido para evitar um racionamento radical.

Aos poucos, o nível do Sistema Cantareira vai se recompondo, os rios voltam à normalidade de vazão e tudo tende a dar um novo fôlego para enfrentar o próximo período de estiagem, que se espera mais normal neste ano. Técnicos apresentam estudos e providências possíveis a mancheia, que devem ser acatados na medida de sua viabilidade e conveniência. De tudo que se levantou, é importante expurgar os arroubos políticos que pintavam um catastrofismo que, afinal, não se realizou de todo, como se houvesse uma predisposição a que a proclamada crise hídrica tivesse a força de um tsunami político no Estado de São Paulo.

Não se pode ignorar as providências que se deixaram para trás, cabendo agora aos governos federal, estadual e municipais, além das empresas administradoras, o engajamento em projetos de ampliação dos recursos, garantias ambientais, ampliação dos reservatórios, educação de consumo consciente e sistemas alternativos que se fazem mais do que oportunos e necessários. Não é necessário curvar-se aos agouros de uma crise implacável, mas negar providências é chamar para si as responsabilidades de uma situação que por óbvio tende a se agravar se não for encarada com a devida seriedade.