Publicado 25 de Março de 2015 - 5h30

Cerca de 620 alunos da Associação Douglas Andreani, no Jardim Monte Cristo, correm o risco de ficar sem aulas a partir de hoje por atraso no pagamento dos funcionários. A entidade não recebeu o repasse de verbas da Prefeitura referente a 2015 porque está com Certidão Negativa de Débito Federal pendente. Além do atraso no pagamento dos funcionários, a associação não tem conseguido arcar com as despesas de água, luz e gás, e recorreu aos pais, pedindo uma colaboração de R$ 20,00 por mês.

A escola atua há dez anos no bairro e atende crianças dos bairros Monte Cristo, Oziel e Jardim Fernanda, com idades entre 2 anos e meio a 6 anos, em tempo integral. A creche mantém um convênio com a Secretaria Municipal de Educação, que paga parte das despesas, como salários de funcionários, impostos sobre a folha de pagamento, material pedagógico e material para limpeza. O repasse do município para este ano será de R$ 2,8 milhões.

Desde o final do ano passado a escola acumula dívidas. Uma delas impede a emissão pela Receita Federal da Certidão Negativa de Débito do INSS. A dívida foi quitada, mas o documento ainda não foi emitido. Sem ele, a Secretaria de Educação não pode liberar o recurso e os funcionários estão com os salários de fevereiro e benefícios referentes a fevereiro e março atrasados. “Tenho tentado contato com a Receita todos os dias, mas só hoje (ontem), porque falamos da ameaça de suspensão das atividades, um funcionário que informou que vai resolver o nosso problema amanhã (hoje)”, afirmou a assistente administrativa Viviane Krepk.

Sem uma resposta concreta, os funcionários decidiram que não iriam trabalhar a partir de hoje, até que os salários e benefícios sejam pagos. A entidade busca apoio de empresas, políticos e associações, como a dos Camelôs. Enquanto não consegue um parceiro, as despesas mensais têm sido pagas pelo presidente da entidade e pelos pais, que colaboram com R$ 20,00. “O que recebemos este mês foram R$ 2 mil dos pais. Não são todos que podem ajudar, mas os próprios ais assumiram esse compromisso de doação”, afirmou. A escola também vê como saída a autorização da Prefeitura para uso da verba para quitação dos demais débitos.

A Secretaria de Educação de Campinas informou que assim que a documentação da associação for regularizada, a Prefeitura tem até cinco dias para fazer o repasse da verba, retroativo ao dia 1 de fevereiro. Sobre o uso do convênio para pagamento de outras despesas, a Pasta informou que não é possível já que no convênio está claro que a verba é destinada ao pagamento de despesas pedagógicas e de funcionários.

Os pais temem pelo fechamento da escola. “Com tanto problema de falta de vaga em creche, a gente fica preocupado dessa daqui fechar”, afirmou o operador de produção César Sena. “O pagamento de R$ 20,00 não é um problema, mas sim fechar a escola que atende muito bem os nossos filhos e está passando por essa dificuldade toda”, disse a monitora escolar Suelen Cristina dos Santos.